Sábado, 12 de Fevereiro de 2011

É a ética, estúpido

Tony Judt o historiador judeu, israelita, que faleceu o ano passado, no seu último livro "Um tratado sobre os nossos descontentamentos", na nota introdutória, que, curiosamente, titula "Um guia para os perplexos" a fazer recordar o que o médico e filósofo judeu do século XII, Moisés Maimónides escreveu então (Maimônides publicou diversas obras no campo médico, filosófico e teológico. Entre estes se destacam:

1168 — Peirush Hamishnaiot ou Sefer HaMahor. Publicado em árabe com o título de Sirah (Luz), onde se propõe apresentar de forma sistemática a Mishná e oferecer uma introdução ao estudo do Talmud. Para GraetzMaimônides foi o primeiro a aplicar aos estudos talmúdicos um critério científico.

1170 até 1180 — Mishnê Torá ou Yad Hazaká (Mão Forte) — composto de 14 livros que contêm 982 capítulos e milhares de leis. Constitui uma organização e depuração do Talmud, com classificação, fundamentação, categorização e simplificação.

1190 — Guia dos Perplexos — obra de filosofia aristotélica fundada na Torá. Este livro concilia Judaísmo com o uso da razão. Como diversos judeus entusiasmados com a filosofia árabe-aristotélica desprezavam os conhecimentos bíblicos, Maimônides criou esta obra como princípio teológico, metafísico e moral.) relata um acontecimento deveras interessante.

Cito:«Os argumentos que se seguem foram primeiramente esboçados num ensaio que escrevi em Dezembro de 2009 para a New York Review of Books. Depois da sua publicação, recebi muitos comentários e sugestões interessantes. Entre eles uma crítica amável de uma jovem colega:"O que é mais surpreendente no que diz, não é tanto a substância como a forma. Afirma que está zangado com a nossa imobilidade política; escreve sobre a necessidade da dissensão relativamente ao nosso modo de pensar economicista, e a urgência do regresso a um diálogo público eticamente informado. Já ninguém fala assim"».

Pois o problema está mesmo aqui.

Este é o centro geométrico onde tudo deveria desaguar e encontrar a perfeição da equidistância e da equanimidade.

A crise de 2008, ainda não debelada, colocou, no Ocidente, no centro civilizacional, à luz do dia, o que de pior têm os homens: a ganância, a ferocidade animal, o carácter predador da sua actividade, o crime organizado no centro dos poderes (económicos, políticos, financeiros, culturais e sociais...).

É sobre isto que Tony Judt escreveu o seu último livro, já destroçado pela doença, que o foi minando até lhe retirar a vida.

Bem haja por tal feito: um hino à vida, à humanidade e ao desígnio nobre da politica e, já agora, do atelier do historiador.


publicado por weber às 00:49
link do post | comentar
partilhar

. ver perfil

. seguir perfil

. 8 seguidores

.pesquisar

 

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. É a ética, estúpido

.arquivos

.tags

. todas as tags

.últ. comentários

Chame-me Parvo….Pois é, Sr. Pedro Tadeu, é isso me...