Domingo, 7 de Agosto de 2011

Do desconcerto das esquerdas

Em Janeiro de 2011 tínhamos um governo, minoritário, socialista, dirigido pelo eng.º Sócrates, a tentar segurar as pontas da governação do País.

Todos os dias levava pancada dos sociais-democratas, dos populares, dos bloquistas, dos comunistas e de quase "todos" os fazedores de opinião deste país. A blogoesfera fervilhava de anti-socratinos, como a si próprios se designavam.

Os escândalos rebentavam, como bolas de sabão, lançadas por meninos, à solta no recreio da escola.

Os ataques ao carácter do primeiro-ministro vulgarizaram-se de tal modo, que quase já não existiam adjectivos na nossa lexografia.

Os mais assanhados?...todos.

Na Assembleia da República a "grande aliança" entre direitas e esquerdas há-de merecer, um destes dias, estudo detalhado. Pode mesmo dar tese de doutoramento.

Parecia haver um quase desígnio nacional: remover a qualquer preço o eng.º Sócrates.

Para estalejar o foguetório em festa de morte anunciada, o senhor Silva, reeleito PR, em discurso de tomada de posse, depois de um notável, quanto patriótico discurso de Jaime Gama, nos idos de Março, sentenciou o governo lendo um quase obituário do mesmo. Mais precisamente a 9 de Março de 2011. A virulência foi tal que, segundo o confidenciou faz dias Mário Soares, este terá dito a Almeida Santos "diga ao Sócrates para apresentar a sua demissão".

Sócrates tenta resolver a situação complexa do país, sem recurso a ajuda externa.

Apresenta na AR o PEC IV a 23 de Março de 2011.

Sem grandes ademanes todos os partidos, menos os socialistas, chumbaram-no, sem aduzirem uma única razão, fazendo-o de concerto, obviamente. Porquê? Cada um deles queria enfatizar esta razão em detrimento daquele argumento. Para não se ferirem, preferiram matar a frio o engº Sócrates.

Este tinha avisado "o PEC IV não passa, deixo de ter condições para governar".

Cavaco Silva nem hesitou. Aceitou de imediato a demissão do primeiro-ministro e...convocou eleições.

O resto, bem, o resto já faz parte da história.

Mas, o que é deveras desconcertante é o estupor analítico, que por aí desanda, hoje em dia, em girândolas de interrogações.

Analistas equilibrados dizem "se fosse Sócrates a fazer um quinto do que este governo fez (nomeações para a CGD, negócio BPN, nomeações a esmo, politicas para a educação, caos nas escolas, golden shares deitadas ao lixo, etc, etc) já tínhamos a Inter na rua, os professores nas praças e squares, os agricultores em Santarém, as Misericórdias a espicharem por tudo quanto é sitio".

A bronca com o ex-director do SIED e das informações saídas para a Ongoing já tinham provocado não sei quantos fora nas televisões, na TSF, na RR, na Antena 1, 2 e até na três, com fundo dos Metálica.

E as esquerdas? Caladinhas que nem ratazanas de esgoto.

O vozeirão do comunista Jerónimo e as sibilantes retóricas do bloquista Louçã, mais parecem rumorejos de ribeiro serrano, do que argumento politico. O debate sobre o negócio do BPN ficará para os anais das alianças, menos espúrias do que parecem, entre esquerdistas e direitas parlamentares.

Ele há também quem se espante com a semvergonhice da direita no poder. Errado.

Sabe-se de ciência certa que a direita tem competências nesta matéria, tem berço, tem linhagem. Sabem que o poder é para ser usado. Pois, que, senão, para nada serve.

Tinham um objectivo. Destruir Sócrates. Sacudi-lo do governo, arredá-lo do poder. Prova mais do que superada.

Agora toda a gente, desde o jornalista mais modesto até ao fazedor de opinião mais categorizado já o afirmam: - Este governo está a faltar à verdade, aos seus compromissos eleitorais, estes aumentos não se justificam, as agências de rating não estão a reagir como nos era prometido, os juros da divida continuam a aumentar...e mais, e mais, e mais.

A pergunta: qual era a pressa de derrubar Sócrates? Não teria sido preferível esperar mais dois anos? Tentar, em esforço patriótico, arremendar as contas e as coisas da Pátria e, em hora boa, ir a votos? Claro que sim. Mas a fome de ir ao pote era tal, que a direita, manhosa, provocou eleições. Até aqui tudo normal, natural mesmo.

O poder, para elas, é mais valioso que a Pátria e o povo.

Agora, as esquerdas, o que os moveu? Uma estupidez do tamanho de um país. Um ódio aos socialistas do tamanho de um Continente. Uma cegueira do tamanho do mundo.

Onde é que andam, agora, os bloquistas assanhados então com o caso BPN,  TVI, avaliação dos professores,  aumento dos impostos? Onde é que andam os comunistas, mais a geração à rasca e as manif's de 300 mil pessoas? Tudo se esvaneceu? Tudo está consertado?

Deixem-me rir.

Como dizia o outro:- A história, repete-se? Não, gagueja!

Olho para os bloquistas e só ouço gagos, desde o Fazendas até ao Semedo.

Olho para os comunistas e só palram gagos, desde o Honório até à Rato, passando pelo Bernardino.

Deixem-me rir, para não desatar a chorar.

Este filme já o vimos em muitos sítios.

Ainda se há-de repetir.

Como o afirmou Karl Marx, citando Hegel, mas refazendo-lhe a tese, no seu "18 de Brumário": - "A história  repete-se, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

Na foto, Luís Fazendas, bloquista albanês e deputado.

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publicado por weber às 12:03
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