Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010

Raffaele Simone: "Le monstre doux"

 

Valupi recupera no seu blog "Aspirina B", uma entrevista dada por um linguista italiano, que faz uma abordagem interessante dos insucessos das esquerdas na Europa ao Le Monde Magazine, que pode ler Aqui.

«Qui est ce " monstre doux "dont vous parlez dans votre livre ?

Raffaele Simone :Dans De la démocratie en Amérique, Alexis de Tocquevilledécrit une nouvelle forme de domination. Elle s'ingérerait jusque dans la vie privée des citoyens, développant un autoritarisme "plus étendu et plus doux", qui "dégraderait les hommes sans les tourmenter". Ce nouveau pouvoir, pour lequel, dit-il, "les anciens mots de despotisme et de tyrannie ne conviennent pas", transformerait les citoyens qui se sont battus pour la liberté en "une foule innombrable d'hommes semblables (…) qui tournent sans repos pour se procurer de petits et vulgaires plaisirs, (…) où chacun d'eux, retiré à l'écart, est comme étranger à la destinée des autres".

Isolés, tout à leur distraction, concentrés sur leurs intérêts immédiats, incapables de s'associer pour résister, ces hommes remettent alors leur destinée à "un pouvoir immense et tutélaire qui se charge d'assurer leur jouissance (…) et ne cherche qu'à les fixer irrévocablement dans l'enfance. Ce pouvoir aime que les citoyens se réjouissent, pourvu qu'ils ne songent qu'à se réjouir. Il pourvoit à leur sécurité (…) facilite leurs plaisirs (…) Il ne brise pas les volontés mais il les amollit (…), il éteint, il hébète."

C'était une sorte de prophétie, mais nous y sommes aujourd'hui.»

Há quem sustente, e eu com eles, duas coisas:

1/ A implosão do comunismo na Europa, sobretudo, arrastou, também, a social-democracia para o abismo onde se encontra actualmente;

2/Isto aconteceu por que, as clivagens no interior da "social-democracia" finissecular até à revolução bolchevique de 1917 passaram apenas pelo debate em torno do recurso à violência, ou não, pelas rupturas sociais, brutais, ou pela progressão etapista, para se chegar à sociedade dos JUSTOS.

Hoje, muitos partidos sociais-democratas ( o nosso PS é disso exemplo) ainda cantam a Internacional marxiana.

E é aqui que bate o ponto.

Karl Kautski, Edouard Bernstein, Emile Vandervelde, e não só, insurgiram-se contra Lenine, mas não tocaram em Marx.

O embuste, a utopia, o messianismo, que tudo havia de permitir e aceitar, radica em Karl Marx e, ainda hoje, as esquerdas liberais e democráticas não arriscam atacá-lo, dissecá-lo.

Quem o fez, e bem, mas por antecipação, foi o francês Alexis de Tocqueville, que o autor italiano cita contudentemente.

O triângulo de demiurgos do pensamento ocidental é, todo ele, alemão e quase judeu e se nomeia Karl Marx, Sigismund Schlomo Freud  e Friedrich Wilhelm Nietzsche, fundadores da alta escola da suspeição e responsáveis pelas maiores malfeitorias, no território das ideologias, das fantasmagorias e na emergência de categorias absolutas.

Enquanto não se der cabo, em definitivo, da herança destes "monstros" no território das ideias...nada feito.

Verdade seja, dois grande vultos do pensamento europeu deram já inicio a essa desconstrução, Paul Ricoeur e Dietrich Schwanitz, que escreveu um livro incontornável, " A cultura, o que precisámos saber", onde aborda o pensamento marxiano, a psicanálise de Freud e a teoria do super-homem do Nietzsche.

Para remate de post importa-me ressaltar a última pergunta feita ao italiano:

«Dans votre essai, le "monstre doux "s'impose à la modernité à travers trois commandements. Quels sont-ils ?

Le premier commandement est consommer. C'est la clef du système. Le premier devoir citoyen. Le bonheur réside dans la consommation, le shopping, l'argent facile, on préfère le gaspillage à l'épargne, l'achat à la sobriété, le maintien de son style de vie au respect de l'environnement. Le deuxième commandement est s'amuser. Le travail, de plus en plus dévalorisé, devient secondaire dans l'empire de la distraction et du fun. L'important, c'est le temps libre, les week-ends, les ponts, les vacances, les sorties, les chaînes câblées, les présentatrices dénudées (et pas que dans la télé de Berlusconi), les jeux vidéo, les émissions people, les écrans partout.»

Se acrescentarmos a isto a demência que varreu o sistema financeiro, os produtos tóxicos, os créditos sobre créditos, os fundos, percebemos também que é necessário um novo paradigma, porventura recuperado das Constituições de Atenas, de Sólon, de Péricles, como ferramenta refundadora da cidade, mandando às urtigas Marx, e as categorias malfazejas "direita" e "esquerda".

Nos últimos tempos, em Portugal, o comentador que melhor enquadrou e reflectiu a expulsão dos zíngaros em França foi um perigoso e empedernido "esquerdista", de sua graça...Vasco Pulido Valente.

Deixemo-nos de "merdas". Refundemos o pensamento social à luz da trilogia, trinitária, também ela, da revolução francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, vértice por cumprir, que deveria transformar-se no Programa da Humanidade para o Século XXI.

E mais não digo.


publicado por weber às 10:40
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