Quinta-feira, 16 de Junho de 2011

O analista

 

Manuel Maria Carrilho, marido da senhora da SIC, desbocada apresentadora, perdeu o "objecto" da sua narrativa: José Sócrtaes.

Com pouco tino, está a tentar recolocar-se, misturando planos e objectos de análise.

Parece criticar Passos Coelho, novo objecto de sua aparente cesura epistemológica, mas desanca na "democracia" de massas, mas num tempo individualista, como ele diz.

Pode ler a peroração do professor, por aqui.

Contudo, vale a pena, em meu entendimento, confrontar números, que são os que importa para ajuizar do fluir da vontade dos eleitores e dos seus comportamentos.

 

Eleições Legislativas

2002

PSD/Durão Barroso 2 200 765 - 40,21%

PS/Ferro Rodrigues- 2 068 584 - 37,79%

CDS/Portas - 477 350% - 6,94%

2005

PS/Sócrates - 2 588 312 - 45,03%

PSD/Santana - 1 653 425 - 28,77%

CDS - 416 415 - 7,24%

2009

PS/Sócrates - 2 077 695 - 36,55%

PSD/Ferreira Leite - 1 654 777 - 29,11%

CDS/Portas - 592 997 - 10,43%

2011

PSD/Passos Coelho -2 148 504 - 38,62%

PS/Sócrates - 1 561 416 - 28,07%

CDS/Portas - 652 758 - 11,73%

 

O que é que estes números nos mostram? Um aspecto, nem sempre valorado, mas é o que conta: a importância absoluta dos números.

Os eleitorados, por razões até conservadoras (onde votamos pela primeira vez, salvo quando mudamos de partido, continuamos a dar-lhe o nosso voto) mantêm-se constantes.

Então, por que se ganha ou perdem eleições?

Simples. Por que o nosso eleitorado decidiu ficar em casa.

Repare-se nas eleições de 2002: PSD - 2 200 765 votos; PS - 2 068 584 votos.

Os eleitorados, destes dois partidos, mais coisa menos coisa, equivalem-se, para cima ou para baixo, caso fiquem em casa ou, ao invés se mobilizem.

O PSD ganha, quando mobiliza o seu eleitorado para votar e, acto continúo, consegue desmobilizar o eleitorado do PS.

O contrário é, também, verdadeiro.

Basta aplicar esta grelha analítica aos números desta amostra, desde 2002 até 2011, para se confirmar a tese.

Os outros partidos, CDS e CDU têm também este comportamento.

O B.E. funciona aqui como fora do jogo e, provavelmente, nas próximas eleições fica reduzido à sua expressão natural: 2%, mais ou menos.

Portanto, a bem dizer, não se verificou uma "viragem" do eleitorado para a direita, mas, ao contrário, percebe-se que, o eleitorado de centro esquerda (funcionalismo público, professores...) não querendo votar nas direitas...ficáram em casa, penalizando assim os socialistas. José Sócrates, em particular, foi "sovado" e, na noite eleitoral, soube tirar todas as consequências de tal cartão "amarelo".

Se alinharmos esta abordagem com a croniqueta do professor Carilho percebemos que, o nosso colunista, está à procura de objecto para "chingar" e, enquanto não acerta, só diz meios disparates para justificar o cheque no final do mês.


publicado por weber às 10:15
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