Sábado, 21 de Janeiro de 2012

"Não tenhais medo!"

A propósito do ecumenismo de Assis, o Pe. Anselmo Borges escreve crónica precisa e importante sobre a Paz, sobre as crise que avassala o mundo, sobre os Papas, sobre o Vaticano II e o seu espirito. 

Por que é deveras importante aqui se deixa a dita e, por comodidade, uma boa parte dela:

'Não creio que haja guerras exclusivamente religiosas, já que estão sempre presentes outros interesses: económicos, políticos, geoestratégicos, instinto de sobrevivência e expansão. De qualquer forma, é uma vergonha que em nome de Deus se tenha derramado e continue a derramar tanto sangue, a exercer tanta violência e a espalhar tanto sofrimento. Esta é a verdadeira blasfémia.

Esta vergonha vem à consciência concretamente nestes dias (18-25 de Janeiro) dedicados ao diálogo ecuménico entre as diferentes Igrejas e confissões cristãs, na chamada Semana da Unidade dos Cristãos.

O ecumenismo - a palavra vem do grego oikuméne, com o significado de Terra habitada: o Homem é, por natureza, ecuménico, universal -, enquanto movimento para alcançar a união dos cristãos, teve início no princípio do século XIX, mas, oficialmente, inaugurou-se com a Assembleia de Edimburgo em 1910. No entanto, só em 1948 se realizou em Amesterdão a primeira Assembleia Geral do Conselho Ecuménico das Igrejas, e a Igreja Católica só fez a sua conversão ecuménica profunda no Concílio Vaticano II (1962--1965), cujo cinquentenário se celebra este ano.

Há hoje um arrefecimento no movimento ecuménico. As razões são múltiplas, mas talvez uma das mais pertinentes esteja no facto de já se não ver motivo para que os cristãos continuem a considerar-se "irmãos separados". Não estão eles unidos no fundamental? O fundamental, como diz São João, é acreditar em Deus, que é Amor, e no seu enviado Jesus Cristo, que deu testemunho desse Amor até à morte. Unidos no essencial, por que não se reconhecem mutuamente?

Logo no início, houve, entre os cristãos, conflitos de interpretações, dizendo os Actos dos Apóstolos que chegaram a "altercações violentas". Reuniu-se então uma assembleia, e é interessante que a facção mais "conservadora" confiou na ala mais "liberal", impondo uma só condição: "Que não se esquecessem dos pobres." Como acentua o teólogo catalão J. I. González Faus, a causa dos pobres passou assim a ser critério da verdadeira liberdade e factor de unidade para a Igreja.' 


publicado por weber às 12:09
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