Terça-feira, 3 de Abril de 2012

Eça de Queiroz com Camilo Castelo Branco

 

O mundo literário da época destes nossos maiores escritores do século XIX (Camilo morre em 1890 e Eça fenece em 1900) inventou histórias, quezílias, intrigas sem conta e com muitos contos, entre eles.

Eis uma carta preciosa escrita por Eça a Camilo:

" A Camilo Castelo Branco

16, Rue de Berri - Paris, 18 de Novembro de 1888

 

Ex.mo Sr. e meu prezado confrade

 

Escrevo a V. Ex.ª em favor duma tentativa que se vai fazer, para criar entre nós uma grande e séria publicação mensal, uma Revista onde sejam representadas dum modo mais completo, firme e metódico do que até agora se tem realizado, as feições diversas do nosso movimento intelectual. Acima dos partidos, das escolas, dos currículos, de tudo quanto é limitado e transitório, a Revista de Portugalpretende  ser a expressão fiel da nossa actividade na criação literária, na invenção artística, na investigação histórica, na observação científica, na análise crítica, em tudo quanto é do domínio do espírito, ou imaginando ou estudando. Para isto, a Revista de Portugalaspira reunir na sua colaboração, todos aqueles que entre nós superiormente valem pela vastidão da cultura geral, pela especialidade do saber, ou pelas altas faculdades criadoras. Ora, se a um tal rol de colaboradores, numa revista portuguesa, faltasse o nome tão glorioso de V. Ex.ª - esse rol ficaria inteiramente incompleto e com uma lacuna que muito lhe faria perder da sua importância e do seu brilho. Confiando pois que V. Ex.ª mesmo reconhecerá que todo o auxílio é devido a uma obra destas, obra até certo ponto nacional e empreendida para honra e elevação das letras portuguesas, venho rogar a V. Ex.ª que me permita inscrever o seu nome na lista dos nossos colaboradores, que, cada dia, se vai desenrolando, mais brilhante e mais larga.

Sei, tenho sabido, com inquietação e mágoa, que a saúde de V. Ex.ª nestes últimos tempos se tem ressentido da sua longa vida de reclusão e de trabalho.

Mas um espírito como o de V. Ex.ª, quando, como o de V.Ex.ª, conserva tão inalteravelmente o viço e o vigor, sai facilmente vitorioso dos desfalecimentos do corpo e tenho a certeza de que brevemente V. Ex.ª poderá honrar a Revista com uma coadjuvação activa, como desde já profundamente a honraria, autorizando-me a pôr o seu nome, à frente e no lugar melhor, entre o dos seus redactores.

Aproveito com alvoroço esta ocasião para afirmar a V. Ex.ª a calorosa sinceridade com que sou

 

De V.Ex.ª, caro confrade

Grande admirador e respeitador

EÇA DE QUEIROZ"


publicado por weber às 20:18
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