Sexta-feira, 26 de Agosto de 2011

Quem vai enfiar a carapuça?

A cada passo, tropeçámos com certezas, algumas quase óbvias. Muitas das vezes, a puta da realidade, vem negá-las e, de quando em quando, com uma crueza que até dói.

Aconteceu, faz pouco tempo, com o "processo" de que foi objecto o cidadão francês DSK.

O nosso cronista, luso-angolano, em funções no DN, ataca o tópico a partir de uma "barbaridade" estatelada em L'Express, que, em tempos, foi revista de referência em França.

Leia a crónica, que serve para o francês, mas podia aplicar-se a muita comunicação social em Portugal. E então se falarmos de blogs, a começar pelo inenarrável 5Dias, agora acossado pelas barbaridades que bolça, diariamente e, às vezes, em doses cavalares, este texto de FêFê é de rara oportunidade.

In extenso, por comodidade:

"Houve em tempos uma campanha, "Ler jornais é saber mais", que dizia o essencial: jornais. No plural. Com jornais é como com médicos. Ouvir uma segunda e terceira opinião cura-nos da estupidez, com jornais, tal como com médicos pode salvar-nos a vida. Na semana passada, a revista francesa L'Express revelava que o relatório médico de Nafissatou Diallo, a mulher que acusava Strauss-Kahn, dizia: "Causa dos ferimentos: violação". Ora, esta semana, o procurador de Nova Iorque que investigava o caso nem o levou a tribunal, por total falta de provas. Então não havia pelo menos a "prova" do relatório médico para se discutir em tribunal? Quem só leu L'Express deve ter ficado estupefacto. Mas a resposta deu-a a agência Reuters, que foi buscar um procurador americano para explicar o que são os relatórios médicos preliminares. E ele disse: "Se eu for de bicicleta, caio, e digo ao médico que fui agredido, ele escreve no relatório 'Causa: agressão'". Cabe, depois, à polícia e aos procuradores investigarem (nomeadamente confirmando com médicos se aquele tipo de ferimento pode ser de agressão ou de outra causa). Foi o que fez o procurador de Nova Iorque. Investigou e fez um relatório de quase 60 mil caracteres dos quais mais de 6 mil (tamanho de cinco crónicas minhas) foram dedicados às "provas médicas". Conclusão do procurador: nada de provas. A certeza do L'Express vinha-lhe de não saber do que estava a falar. Acontece tanto."

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publicado por weber às 11:04
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