Domingo, 26 de Dezembro de 2010

D. Manuel Clemente: um sábio

É homem de pensamento, é professor universitário, possui uma vasta cultura e domina vários tópicos.

Foi Bispo-auxiliar de Lisboa e, actualmente, está Bispo da maior diocese de Portugal, o Porto.

Recebeu o ano que passou o prémio Pessoa atribuído por um júri de qualidade inquestionável.

Acaba de ser promovido a sócio da Academia das Ciências de Lisboa e vai publicar livro consistente na Assírio & Alvim, cujo titulo é, em si, um programa: "Pensar com Esperança o Portugal de hoje".

A par de Eduardo Lourenço é, porventura, o nosso pensador de e sobre Portugal mais profícuo.

Deu extensa entrevista ao jornal i, que pode ler com proveito.

"Portugal tem uma capacidade de reconstrução espantosa" é uma das frases que marca esta entrevista, mas há bastantes mais.

Destaco duas respostas a outras tantas perguntas do jornalista, por me parecerem a contracorrente, quase politicamente incorrectas.

«Este último livro chama-se "Pensar com Esperança o Portugal de hoje". A palavra "esperança" pode resumir o seu pensamento?
Quem não tem esperança bloqueia, já nem pensa. Quando falo com esperança no Portugal de hoje e de amanhã vou buscar a nossa experiência histórica. Portugal seria talvez o país da Europa com menos razões internas para existir e, no entanto, somos o país com fronteiras sólidas há mais tempo e já ultrapassámos crises terríveis. Temos uma capacidade de auto-reconstrução espantosa. Somos os filhos dessa gente. Além disso, temos espontaneidade social e uma solidariedade enorme, mesmo nas actuais circunstâncias. No campo da educação, os últimos dados da OCDE são para levar a sério, são muito positivos. O que se tem feito no campo da saúde, na esperança de vida, na quase extinção da mortalidade infantil, o que se faz em alguns domínios científicos e na aplicação industrial e tecnológica... Temos todas as razões para ter esperança. Não esmoreçamos, porque temos todas as capacidades para ultrapassar esta crise. »

E esta outra.

«Que juízo faz da classe política?

Hoje é particularmente difícil ser político. A política não está envolta no manto de prestigio ou veneração que se tinha na minha geração, quer em relação aos que estavam no poder quer em relação aos que estavam na oposição. Hoje em dia a política é arriscada, a privacidade desaparece, a vida é rebuscada até ao último recanto,alargando-se iliegitimamente até à própria família...é um grande desassossego, ser político.

Está a falar de José Sócrates?

Falo de todos. É o que temos visto nas últimas décadas: qual é o político que pode estar sossegado?» 


publicado por weber às 11:25
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