Domingo, 27 de Junho de 2010

O Dr. Ricardo Sá Fernandes é um cómico

 

Na edição do Expresso, no 1.º caderno, a página 37, em crónica assinada e titulada "O país não quer saber a verdade" o famoso causidico escreve o que poderia ser uma anedota de começo de Verão.

Não consigo o link para o artigo na integra, mas destaco esta frase que é uma "foto" do advogado em "corpo inteiro".

Antes, diz que não pode abordar o objecto da defunta CPI, que tentou averiguar se o governo interferiu no negócio (abortado...) da PT na Media Capital e se o primeiro-ministro mentiu no Parlamento. Portanto, fica-se só por um juízo, "arrasador" ao comportamento do deputado Mota Amaral, e passo a citar:

"2.Esclarecidos estes pontos prévios, não posso ficar calado sobre o que se passou na comissão parlamentar de inquérito acerca daquele  negócio. Após decisão individual de Mota Amaral, os deputados - com excepção de Pacheco Pereira - abdicaram de consultar, avaliar e decidir acerca de matéria probatória que, nos termos da Lei, lhes foi remetido pela autoridade judiciária competente. E o argumento da censura - porque de um acto de censura se tratou - foi o de que, tratando-se de escutas telefónicas, a inviolabilidade das telecomunicações consagrada na Constituição o impediria. Ora, respeitando sempre a opinião contrária, entendo que estamos perante um erro crasso."

Isto parece mesmo uma anedota com um chorrilho de mentiras pendurado.

1.º-As certidões tiradas das escutas a Armando Vara e a Paulo Penedos nas quais aqueles falavam da TVI...foram enviadas, a pedido da CPI, ao seu presidente, o deputado Mota Amaral;

2.- Em reunião de Coordenadores dos deputados com assento na CPI, só o PCP e o PSD se mostraram interessados em as consultar;

3.º-O PSD escolheu o deputado Pacheco Pereira para o fazer:

4.º- O PCP escolheu o deputado João Oliveira para tal;

5.º- Um e o outro deputado leram as mesmas coisas e delas tiveram, portanto, conhecimento;

6.º - O deputado Pacheco Pereira fez, em plenário da CPI, com a presença de jornalistas, uma declaração sobre as escutas e insistiu que elas pudessem ser usadas no Relatório Final;

7.º- Nessa sessão, Pacheco Pereira, considerou aquela matéria como arrasadora e prova provada que o governo montou uma operação secreta, coordenada para controlar a TVI e afastar Eduardo Moniz e Moura Guedes;

8.º- O deputado do PCP João Oliveira nada disse;

9.º- O deputado Mota Amaral afirmou que tomaria, brevemente, posição sobre a matéria;

10.º- Fê-lo em parecer sustentado, que deu a conhecer em reunião de Coordenadores;

11.º - Tal entendimento mereceu o ACORDO de todos os coordenadores: as escutas não podiam ser plasmadas no Relatório Final;

12.º- Mais tarde, o deputado comunista João Oliveira, afirmou, para a comunicação social, que, o que encontrou nas escutas "é matéria irrelevante para o objecto desta CPI";

13.º- Por insistência do deputado Pacheco Pereira, o parecer, sobre este tópico, de Mota Amaral integrou o Relatório Final.

Sobre este Relatório já se falou o suficiente, mas o ilustre advogado Ricardo Sá Fernandes, do alto da sua soberba hermenêutica, ignora-o, pura e simplesmente, para terminar a sua croniqueta de maneira grandiloquente:

"5.Portugal tem uma luz maravilhosa. Mas as suas instituições persistem em viver à sombra de um segredo bafiento que impede a sua regeneração. Custa muito viver em tal escuridão. Dá vontade de ir embora."

Por quem é, vá.

Mas, para onde? Para a Grécia? Para Itália? Para a Turquia? Para a Siria? Para a China? Mesmo para os USA?

Tenha dó, Dr. Fernandes.

Tanta mentira à sombra de uma suposta severa e competente "verdade" luminosa...

Foto - O advogado e a jornalista Sofia Pinto Coelho publicada na revista CARAS.

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publicado por weber às 12:42
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