Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

Che Guevara era um humanista?

 

O Che, como a história lhe reteve o nome, morre na Bolívia às mãos dos militares, quando tentava implantar

um "foco" guerrilheiro entre os camponeses bolivianos, mas sem sucesso.

Morre com a idade de 39 anos, a idade dos mitos.

O seu amigo Fidel Castro encarregou-se de o transformar num "super-homem": com todas as qualidades do mundo, sem defeitos.

O filósofo francês Jean Paul Sartre, eminência negra das esquerdas europeias, dirá do Che: " O homem mais completo do nosso tempo."

Mas quem foi este herói argentino, bolivariano antes do tempo?

Jovem, cursa medicina.

Percorre a América Latina de moto. Enamora-se de uma jovem marxista, que o inicia no amor e na via para Marx e o marxismo.

Cruza-se com Nico López que, além de lhe fixar o "nome" CHE, o leva então aos revolucionários cubanos.

Entra na guerrilha da Sierra Maestra, de 1956 a 1959.

Nas montanhas de Cuba é implacável. Não hesita em fuzilar, diante da família dos executados, guerrilheiros que traíram ou têm duvidas quanto à revolução pugnada por Fidel.

Nesses tempos, Fidel Castro elogia-lhe mesmo " a sua qualidade de culto de uma agressividade excessiva."

Revolucionário, Guevara foi-o, sem dúvidas, e a história registou-o como tal.

Mas a personagem que o envolve é muito escorregadia.

E, então, o seu humanismo, mitificado até à náusea depois da sua morte?

Ficámos enternecidos, mesmo muito, perante a fotografia a P & B de Guevara, que correu mundo.

Nos tempos da Sierra Maestra, sustentava El Che: " O ódio como factor da luta; o ódio intransigente ao inimigo, que nos empurra para lá dos limites naturais do ser humano e fazem do homem uma eficaz, violenta,  selectiva e fria máquina de matar. Os nossos soldados devem ser assim; um povo sem ódio não pode tiunfar de um inimigo, também ele, brutal".

É Engels em todo o seu explendor: "A violência como parteira da história."

Com a chegada dos guerrilheiros a La Havana, em 1959 e com a derrocada do tirano, Fûlgencio Baptista, El Comandante Che Guevara é nomeado Procurador Supremo da prisão de La Cabaña.

Nas semanas que se seguem, Che vai instalar campos de "trabalho e reeducação" para os opositores do novo regime. Vai executar mais de uma centena de policias, militares e dignitários do regime deposto.

Os procedimentos judiciais não são considerados sequer.

Os elementos apresentados por este Procurador, El Che, têm o estatuto de provas irrefutáveis.

As testemunhas acreditadas nos processos, e únicas, são as próprias vitimas dos réus.

O próprio Che é o Presidente do Tribunal de Recurso.

Nesses meses, após a instauração do regime revolucionário, 2 000 cubanos são fuzilados.

Entre 1959 e 1965 cerca de 10 000 cubanos foram excecutados.

Em 1961 100 000 foram obrigados ao exílio.

As liberdades individuais são suprimidas, a liberdade de imprensa desaparece e, esta, é censurada.

Os opositores são presos.

O regime é, cada vez mais, autoritário.

Em 1964, na tribuna da Assembleia da Nações Unidas, El Che afirmará, sem lhe tremer a voz.:"Execuções, sim, nós fuzilámos, nós estamos a fuzilar e nós continuaremos a fuzilar enquanto tal for necessário. A nossa luta é uma luta à morte."

Mas El Che deve ser reduzido a isto?

Claro que ele praticou o bem. Ajudou camponeses a alfabetizar-se. Tratou-os com cuidados médicos.

Mas o mito do revolucionário romântico e corajoso, com as mãos limpas, é forjado logo no dia seguinte ao seu assassinato às mãos dos militares bolivianos.

Com apenas 39 anos, jovem, bonito, altruista, Fidel castro transforma-o no paradigma do revolucionário: um grande pensador, humanista, eternamente jovem, a imagem da própria revolução.

Aqui fica "o homem mais completo do nosso tempo".

J.A.


publicado por weber às 11:20
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