Sexta-feira, 24 de Junho de 2011

Bloco, quo vadis?

Fernanda Câncio, jornalista, coloca, de modo tranquilo, sereno mesmo,  a questão do futuro do Bloco de Esquerda, ou da deriva, ou da morte anunciada, ou do "harakiri", como muito bem ela titula o seu artigo publicado no DN a pretexto do estado comatoso do grupúsculo bloquista.

Mas, em meu entendimento, deixa uma questão de fora: a verdadeira razão de ser, do próprio BE.

Nos tempos gloriosos da URSS e de Álvaro Cunhal, quando os comunistas ortodoxos "dominavam" o pensamento "marxista e leninista" oficial, estes grupos eram fustigados em brochura teórica, designada "O Radicalismo Pequeno-Burguês de Fachada Socialista".

Hoje, as coisas são diversas.

O sistema de alianças acompanha a espuma dos dias, mas, a definição "estratégica", assente no dogma de que o Partido Socialista... continua a ser o adversário principal...persiste.

É preciso destruí-lo, ao partido socialista, revisionista, traidor para, depois, tratar do imimigo principal, a burguesia!

Balelas, digo eu, mas resilientes.

Mas, sobre isto, sobre os comunistas, a jornalista tem uma ideia definitiva.

Sobre o B.E. ainda tem uma expectativa, centrada no "ou", "ou" final.

Eu tenho uma ideia mais modesta, mais terra à terra, sobre os desígnios bloquistas.

Subscrevendo por inteiro o argumentário e descrição factual que a jornalista empresta ao seu artigo,sempre adianto:

1 - O BE deixou-se assimilar, ideologicamente, pelo PCP;

2 - O BE deixou de produzir pensamento próprio;

3 - O BE, objectivamente, fez/faz o jogo da direita;

4 - Ajudando, com o PCP, a derrubar o governo Sócrates, a desmantelar um Parlamento onde havia, claramente, uma maioria de esquerda (BE- 16 deputados; PCP- 15 deputados; PS - 97 deputados, o que perfazia...128 deputados!) criaram condições objectivas para a emergência do bloco de direita no Parlamento.

A soma dos 108 deputados do PSD, com os 24 do CDS/PP perfaz uma larguíssima maioria de 132 deputados, 16 acima do limiar minimo de maioria absoluta.

Sobre este tópico estámos conversados.

Mas, observado de perto o actual elenco governativo, encontramos um singularidade.

O Ministro de Estado e das Finanças, Vítor Louçã Rabaça Gaspar, é primo direito, por parte da mãe, de Francisco Louçã, fundador do B.E.

O M.N.E. e Ministro de Estado, Paulo de Sacadura Cabral Portas é irmão de Miguel Portas, fundador do B.E.

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publicado por weber às 10:59
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