Segunda-feira, 9 de Abril de 2012

Na terra de sangue e mel

Angelina Jolie, excelente actriz, lançou-se numa aventura perigosa, mas corajosa.

Testemunhar, através de uma narrativa o conflito que colocou em confronto um projecto sérvio, na desintegração da ex-Jugoslávia, contra uma etnia muçulmana de bósnios, que viviam, ambos, num mesmo território, a Bósnia Herzegovina. Antes de falar no filme, e de ler a recensão, a minha, importa ler este artigo longo tirado da  wikipedia: desintegração da Jugoslávia.

Importará também ler este artigo, critico do filme, mas a partir de  um olhar sérvio:polémica do filme na terra do sangue que retirei de um site quase "oficial" da Sérvia. Tem um aspecto interessante: à mão de um clic pode-se ver o filme integral, em inglês.

Vamos ao filme.

É um filme de estreia.

Importa saber que, desde 2001, a actriz é Embaixadora da Boa Vontade da ONU e do ACNUR, dirigido por português António Guterres, que teve já a oportunidade de agraciar a Embaixadora pela qualidade do seu trabalho.

O filme, a sua retórica, utiliza as "ferramentas", categorias actorais consagradas nos diversos filmes dedicados ao holocausto: os perpetradores, os carrascos, as vitimas, os observadores, e os criminosos (estes estão ausentes do filme de Angelina Jolie), os responsáveis pelas "ordens", pelas opções politicas. Mas, no caso vertente, não eram necessárias para a trama fílmica.

O filme desenrola-se em torno de uma relação "amorosa", um homem e uma mulher, que viviam numa mesma terra, que falava a mesma língua, mas a quem os ressentimentos históricos e a pertença a religiões diferentes e a etnias distintas...vão tornar "inimigos".

O resto só se percebe vendo o filme.

A qualidade do filme? Não é muito boa, mas também não é medíocre. Não é uma obra-prima, mas tem uma importância determinante: é um testemunho brutal das atrocidades "sérvias" na Bósnia Herzegovina, nos finais do século passado.

As criticas que lhe fazem são incipientes.

Pedem-lhe para ser historiadora de um conflito muito complexo, no dealbar da implosão da antiga Jugoslávia e que olhe para ele como um conjunto.

A escolha da realizadora, do tema, foi este e é sobre ele, que temos de falar. Se alguém acha que deve falar a partir dos sérvios...que o faça. É um direito que assiste a qualquer autor: a liberdade absoluta de olhar o tópico escolhido.

Eu gostei, muito, do filme.

Apreciei a retórica, toda ela, ou quase, centrada sobre o "par" amoroso, uma pintora e um ex-policia, mas cujos percursos se vão transformando e, por via disso, os transformam...também.

Uma é prisioneira, numa caserna sérvia, escrava, sem direitos, à mercê dos perpetradores sérvios, que usam e abusam sexualmente delas, e, o outro, torna-se num "criminoso de guerra" como o próprio o afirma, no final, quando se entrega às forças da UN.

A ver, em meu entendimento, como dever de memória, ao modo de Primo Lévi.

Foto - Presidente sérvio-bósnio, até 1995, psiquiatra de formação, Evstafiev Rodovan Karadzic, responsável da politica de escravatura, abuso sexual sobre as bósnias muçulmanas, execuções sumárias, genocídio, limpeza étnica, e valas comuns.

Foi preso apenas em 2008, em Belgrado, onde trabalhava com nome falso, levado ao Tribunal Internacional criado para julgar os crimes cometidos na ex-Jugoslávia.

Os criticos do filme devem ler a história, para não entrarem em processo de "negacionismo".


publicado por weber às 13:11
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