Terça-feira, 21 de Junho de 2011

Solstício de Verão

Hoje, 21 de Junho, o maior dia do ano, onde a luz jorra no hemisfério norte de modo deslumbrante, ocorreu um "milagre" na Assembleia da República. Por proposta do grupo parlamentar do PPD/PSD, a deputada Assunção Esteves, de seu nome completo Maria Assunção Andrade Esteves natural de Valpaços, distrito de Vila Real, foi eleita Presidente(a) da A.R.

Com um percurso politico e profissional notáveis, esta cidadã já nos tinha impressionado, aqui e acolá.

Foi juiza do Tribunal Constitucional, foi deputada em várias legislaturas, eurodeputada e esteve Presidente da primeira Comissão da A.R., dos direitos constitucionais.

É professora universitária, competentíssima jurista.

Politicamente, sempre militou no PPD/PSD, mas manifestando, recorrentemente, um apego à liberdade das suas convicções, muito ao modo weberiano.

Surripiado do professor Viriato Soromenho Marques, e cito «Max Weber, na sua imortal conferência de 1919 sobre a natureza da política (...) utiliza dois conceitos fortes: "ética da convicção" (Gesinnungsethik) e a "ética da responsabilidade" (Verantwortungsethik)...»

É óbvio que a cidadã Assunção Esteves move-se, quase sempre, pela ética da responsabilidade.

Contrariamente, ao seu grupo parlamentar (que exigiu disciplina de voto contra...ela pediu escusa de participar, mas assumiu, publicamente o que pensava da situação), social-democrata, "votando" assim, com TODA a esquerda do hemiciclo, a despenalização da IVG.

Mas, hoje, dia histórico para a nossa instituição parlamentar, uma mulher foi escolhida para presidir à Assembleia da República.

A segunda figura do Estado, substituto, nos seus impedimentos, ou ausências, do Presidente da República é, a partir de hoje, uma mulher, transmontana e com uma cultura jurídica, filosófica e humanista de deslumbrar.

Produziu o seu primeiro discurso inaugural de modo eloquente, conciso e de uma densidade filosófica e histórica, que não deixou ninguém indiferente.

O modo, a semiótica corporal, que utilizou para festejar, para agradecer aos seus pares, só ao alcance de uma mulher, e, sobretudo, de uma mulher inteligente, sem medo dos afectos, das fraquezas, das fragilidades.

O discurso além de um peça de oratória invejável, tem uma substância de rara qualidade.

Habemus mulher.

Não consegui "apanhar" no site da AR a versão integral do mesmo, mas o Publico traz um resumo interessante.

Respigo este pedaço, que me parece paradigmático: «“Que orgulho, senhores deputados, e que responsabilidade que é, estarmos aqui”, declarou. “Dedico este meu momento de alegria a todas as mulheres, às mulheres políticas que trazem para o espaço público o valor da entrega e a matriz do amor, mas sobretudo às mulheres anónimas e oprimidas”, afirmou Assunção Esteves.
Comprometeu-se a fazer “de cada dia um esforço para a redenção histórica” da “circunstância” dessas mulheres.»

Pedro Passos Coelho, presidente do PSD, esteve bem em manter o compromiso de apresentar Fernando Nobre a votos, só o "deixando" cair depois deste o desobrigar, desistindo da sua candidatura.

Pedro Passos Coelho, presidente do PSD, surpreendendo pela positiva, esteve bem ao apresentar Assunção Esteves, que obteve 186 votos favoráveis, num universo de 229 (o número de deputados presentes na altura da votação), com 41 brancos e 2 nulos (de rejeição clara...).

Agora, façam-me um favor: retirem o deputado Fernando Nobre do hemiciclo.

Sempre que as televisões o "apanham"...o ar de desconforto, pode ler-se mesmo de "ressentimento" é tal, que o não consegue disfarçar. Evite-se o sofrimento do deputado e do cidadão, homem bom e com louvável e meritosa actividade humanitária.


publicado por weber às 19:13
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