Domingo, 20 de Fevereiro de 2011

O lobby trasmontano

Não acreditam que existe?

Existe, sim senhores.

E é mais importante que a maçonaria, quiçá mesmo que a igreja católica... e é antigo.

Em entrevista, que me não recordo a quem e quando, Adriano Moreira conta história verídica.

Era então Ministro das Colónias e, em Moçambique estava um seu subordinado, Governador da Colónia, o Almirante Sarmento Rodrigues, pessoa grada de Freixo de Espada à Cinta.

Importa sublinhar que o protagonista desta história é trasmontano, de Grijó de Vale Benfeito.

Adriano Moreira recebe uma senhora, que lhe vem pedir um favor, uma cunha para colocar seu filho, cursado em Direito, em Coimbra e com uma boa nota, 18 valores. O ministro responde-lhe que, na Metrópole, não consegue disponibilizar coisa que se veja para o jovem Bacharel, mas ... nas Colónias, iria indagar.

Saída a senhora, trasmontana, como ja se entendeu, enviou telex para o Governador de Moçambique, pedindo-lhe o favor de empregar o jovem doutor.

Resposta de Sarmento Rodrigues:- Muita pena, mas acabei de nomear alguém para o único lugar disponível.

Contra-resposta do Ministro:-Mas, o jovem em apreço é trasmontano.

Resposta, e esta definitiva, do Governador Sarmento Rodrigues:- Acabei, agora mesmo, de o nomear no Jornal Oficial da Colónia...

Adriano Moreira conta esta história para legendar o espírito de "tribo" existente entre trasmontanos.

Leiam-me, por favor, esta peça de artilharia, escrita pelo mais famoso trasmontano de Estevais, Concelho de Mogadouro, José Rentes de Carvalho, em louvor do seu "conterrâneo" de Vilar de Ossos, Vinhais, Armando Vara: em defesa do dr. armando vara.

E desde já in extenso:

«Por vezes torna-se difícil compreender a agitação em torno de acontecimentos comezinhos, mas certo é que ela espelha fielmente a mesquinhice e a inveja das classes baixas.

O Dr. Armando Vara, que recordo jovem funcionário da Caixa em Mogadouro, conseguiu, graças ao bafejo do Destino, mas sobretudo devido às suas extraordinárias qualidades, fazer na sociedade e na política uma sobejamente conhecida e meteórica carreira.
Secretário de Estado, por duas vezes ministro, pilar do Partido Socialista, íntimo do primeiro-ministro, de poderosos banqueiros, poderosos empreiteiros, poderosos sucateiros, e mais  gente da alta, raros se poderão orgulhar de igual CV.
Semelhante proeminência forçosamente enfurece os fracos, os incapazes, e assim se soube ontem que, com urgência de tomar um avião, o Dr. Armando Vara foi a um centro de saúde em busca de um atestado médico e, ao que dizem, não esperou vez, o que a televisão e os jornais publicitaram com desmedido interesse.
Claro que vivemos em democracia, mas não se deve perder de vista a realidade e, sobretudo, o facto apontado por Orwel, de que todos os homens são iguais, mas uns são mais iguais do que outros. Um carpinteiro, um lojista, um reformado, também são gente,  têm direitos, mas são escassas as suas vivências, funcionam em planos modestos, as humildes pressas que os afligem facilmente sofrem espera
Um Dr. Vara, com o seu poder, as suas ligações e amizades, a sua posição na hierarquia, não deveria ter de se dirigir a um centro de saúde em busca de um prosaico atestado. Que o tenha feito e, por urgência, tenha passado à frente de um ou outro borra-botas, demonstra apenas o seu respeito pelas instituições e pela igualdade pregada há séculos pelo Socialismo.
Se estivessem no seu lugar e possuíssem a sua força, os que se queixaram de ter perdido a vez fariam como ele poderia ter feito: mandavam uma secretária ao centro ou intimavam a médica para que lhe fosse passar o atestado a casa. Não o fez, e isso o honra.
Aflige constatar como o povinho amplia niquices e os demagógicos media se prestam à manipulação dos factos. Tivesse este país muitos homens como o Dr. Armando Vara não estaríamos como estamos

publicado por weber às 11:51
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