Sábado, 7 de Abril de 2012

Bem prega frei Tomás

O Papa da Igreja Católica, Bispo de Roma, em visita à Cuba dos ditadores Castro, exige liberdade de opinião, pede o fim da repressão por delito de opinião.

Até é aqui nada me parece merecedor de critica.

Pois.

Mas quando se sabe a noticia que a Conferência Episcopal de Espanhola "condenou", por delito de opinião, um dos seus, o melhor e mais competente Teólogo da actualidade, Andrés Torres Queiruga, que foi amigo de, e com quem travou dos diálogos mais enriquecedores entre um crente e um assumido ateu, José Saramago, já a porca torce o rabo.

Veja-se a denúncia critica feita pelo nosso teólogo Anselmo Borges.

De bradar aos céus.

"Enquanto o Papa, em Cuba, fazia apelo à liberdade, a Comissão para a Doutrina da Fé da Conferência Episcopal Espanhola publicava uma Notificação - na prática, para a opinião pública, a condenação de mais um teólogo, Andrés Torres Queiruga. Como se a liberdade fosse para os outros e não devesse vigorar também no interior da Igreja.

Para muitos - também para mim -, A. Torres Queiruga é um dos maiores teólogos católicos vivos. No meu entendimento, foi e é o teólogo que de modo mais profundo e conseguido enfrentou o cristianismo com a modernidade e a modernidade com o cristianismo. Desgraçadamente, alguns teólogos e bispos espanhóis não pensam assim.

O que aí fica é tão-só, na medida em que o permite uma crónica de jornal, o que considero nuclear no pensamento de A. Torres Queiruga.

1. Tudo arranca da fé, com razões, no Deus que cria por amor. Deus não criou por causa dele, da sua maior honra e glória, mas apenas por causa das criaturas e da sua felicidade.

Tomada no seu sentido radical, a criação por amor, a partir do nada, implica, por um lado, a presença suma de Deus à sua criação, de tal modo que, se ele se retirasse, tudo voltava ao donde veio, isto é, ao nada, e, por outro, a autonomia das criaturas. Assim, a ciência, a política, a economia, a própria moral, não vão buscar a sua legitimação à religião, pois devem reger-se pelas suas próprias leis.

(...)

Os discípulos que, como Jesus, confessavam cada dia, na Shemoné Eshré, a fé no "Deus que ressuscita os mortos" e que tinham acreditado em Jesus continuaram a crer nele, após a sua morte, uma morte que testemunhava o que foi o centro da sua mensagem por palavras e obras: que Deus é amor. Mais uma vez, reflectindo, aprofundaram a convicção de fé de que Jesus não morreu para o nada, mas para o interior da vida de Deus, que é a vida plena e eterna. E disso deram testemunho até à morte.

Fica aqui a minha viva solidariedade de amigo e também filosófica e teológica com A. Torres Queiruga."

Pode ler aqui La notificacion sobre algunas obras del prof andres torres queiruga emitida e divulgada, publicamente, pela Conferência Episcopal Espanhola.

O que poderia significar apenas um debate interno, dentro da hierarquia católica espanhola, sobre as obras de um teólogo criativo, inquieto e galego, uma vez divulgada...torna-se numa condenação inequívoca perante o povo de Deus das Espanhas.


publicado por weber às 12:41
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