Sábado, 12 de Fevereiro de 2011

A análise aos analistas

Feita por um dos nosso melhores analistas, o meu muito apreciado escritor de Estevais, marca d'água e lugar geográfico onde se ancorou, faz muito tempo.

Da sua Holanda "natal", por renascença, manda-nos postais fabulosos, sobre isto, sobre aquilo e, às vezes, com iconografia a preceito, sobre coisa nenhuma.

O texto d'hoje é soberano, assim do tamanho da nossa divida soberana.

Tem a costumada qualidade literária, a verrina percorre-o de lés a pés, mas desencanta-se de uma entidade da ordem dos mitos, como também os encontramos, a sua morfologia, descrita na narrativa do romeno, não confundir com rom, Mircea Eliade (que viveu no Estoril e sobre nós  escreveu...).

Eu sei que há portugueses assim.

Todos sabemos que os há assim, analistas de mor grandeza, e também assado.

Mas não dar à Pátria (vai com caixa alta como manda o patriotismo...) nenhuma abébia, nenhuma saída, nem que fora messiânica, à moda dos judeus, ou mesmo até dos marxianos, não é coisa que se deva fazer.

Mesmo, e sobretudo, na "pena" de quem arrima os ossos, os óculos, os membros, anteriores e posteriores, na nova Jerusalém, arrumadinha, rica, que não escarra para o chão e, claro está, não tem sonhos adiados...por que não tem esses desvarios nocturnos, menos ainda a insanidade de "sonhar" acordada.

Mas leiam o texto que é, todo ele, supino, como narrativa literária. Que é certeiro quanto a muito psitacídeo que por aí escrevinha em galhos de media, sejam os clássicos, sejam os modernos da net.

Mas, ás vezes, é preciso, é conveniente, digo eu, dar nomes às cabras, que deambulam na foto inclusa...

E, para os preguiçosos, leiam-no já: « É velho hábito, este que tenho de ler os analistas políticos das variadas cores que opinam sobre os males da nação e apontam os remédios necessários para a cura. Leio-os, e todos me transmitem o mesmo sentimento de melancolia que dão as conversas de café.

Estou certo de  que a sua prosa é ditada por genuínas raivas, e ressentem fundo (alguns) a urgência de cautério na podridão da política nacional. Mas sei também, e eles sabem-no melhor do que eu, como na  sociedade portuguesa são passageiras as fúrias, sem número as cumplicidades, que se vai adiando de geração para geração a necessária cirurgia.
Ficamo-nos pelas análises, pelo palavreado, é verdadeiro mistério que, ao contrário do que sucede na Natureza, na nossa sociedade tudo se perca e nada se transforme.

Vivemos numa espera sem esperança, entretidos a imaginar como seria se…, culpando a revolução que espalhou o maná por poucos, culpando a Europa que nos tirou da miséria mas quer de volta o empréstimo e ainda por cima juros. Somos o país de Nossa Senhora, do Euromilhões, dos amanhãs que não chegam.

Custa dizê-lo, e doam-se como a mim dói: aos olhos de muitos Portugal é um país que dá pena, um país coitadinho

Mas, ainda assim, atente-se neste poema do vate de Águeda, politico destroçado na última campanha militar eleitoral, que varreu Portugal de cabo a rabo:

«Este tempo de sim
Tempo de cada um por si e para si
Carreira ordem unida orelha murcha
Vida vidinha medo miudinho
tempo de chefe e chefezinho
Este é tempo outra vez de Portugal em inho (...)»

Poética dedicada a um aristocrata de esquerda, homem probo, livre e de bons costumes...Fernando Valle.

Foto de Vasco da Graça Moura, um dos mais "alaranjados" e conspícuos analistas políticos. 

publicado por weber às 12:44
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