Quinta-feira, 30 de Junho de 2011

Tempo de Fogo

É nome de romance inspirado em processos da Inquisição que ocorreram no século XVII, por terras de Miranda e em Sendim, terra do autor.

Amadeu Ferreira, com uma actividade "literária" no sentido mais extenso que imaginar se possa, lançou-se na narrativa romanesca e com sucesso.

Fê-lo na sua língua materna, o mirandês e em português.

Da recensão/apresentação do livro em Bragança, que pode ler aqui respiguei este pedaço:

«Amadeu Ferreira sabe dosear com extraordinária destreza  a carga emocional da linguagem, pois, se não consegue mudar o rumo da negra História da Inquisição e punir os assassinos de Frei António da Santíssima Trindade, para consolo do leitor, não vai deixar impune o  assassinato do jovem marido de Laurinda. O sogro jurara que não iria embora deste mundo sem vingar a morte do genro, às mãos do temível guarda do meirinho de alcunha “o Algoz”. Manuel Miguel, pai de Laurinda, assim o disse e assim o fez:

 Pouco passaria do meio-dia quando o Algoz teve de ir satisfazer as suas necessidades atrás da curriça, agachando-se perto de umas carvalheiras. Manuel Miguel estava mesmo por detrás dele, escondido nessa moita para que ninguém o visse. Quem diria que o seu inimigo viria ter com ele daquela maneira, bastando estender o braço para o alcançar? Deixou-o fazer um bom montão de fezes e depois, como um relâmpago, Manuel tira a correia que trazia no bolso e deita-a ao pescoço do Algoz. Nem ele mesmo sabe como fez tudo tão depressa, pois nunca tinha imaginado que as coisas se iam passar assim. O Algoz bem esperneou, bem esbracejou, mas Manuel Miguel era um homem forte e nem o deixou mexer do sítio onde estava, puxando-lhe a cabeça para trás de modo a olhá-lo bem nos olhos e cuspindo-lhe uma risada macaca. Não lhe apertou demasiado a correia para não lhe deixar marcas demasiado suspeitas no pescoço. Mal o Algoz desmaiou, como ainda não estava morto, torceu-lhe o pescoço e partiu-lhe a espinha com um safanão forte e seco. Virou-lhe a barriga para baixo e espetou-lhe a boca contra o monte de fezes que ele próprio tinha feito.”»

Eu já li o romance.
Gostei.
Como estreia, augura-se-lhe  grandes voos romanescos.
Creio que temos um nova voz literária, densa, ágil e bela por terras de Trás-os-Montes.
Ficamos à espera de mais.

publicado por weber às 11:15
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