Sábado, 13 de Agosto de 2011

Eu, camusiano, me confesso

Estou a ler, a acabar de ler, uma espantosa, quanto bem cuidada fotobiografia de Albert Camus.

Organizada pela sua filha Catherine Camus e publicada pela casa Michel Lafon, cujo titulo é uma legenda da vida do escritor francês, nascido em Mondovi, Argélia francesa, "Solitaire-Solidaire".

Do célebre discurso de Suécia retirei mais esta pérola:

"(...) Porque a sua vocação é a de reunir o maior número de pessoas possível, aquela  não pode acomodar-se  na mentira, nem na servidão que, onde elas são senhoras, fazem procriar as solidões. Quaisquer que sejam as nossas limitações pessoais, a nobreza da nossa profissão (de escritor) está enraizada para sempre em dois compromissos difíceis de sustentar: a recusa de mentir sobre o que sabemos e a resistência à opressão."

Em 1949, escreve nos seus "Carnets" uma quase "resposta" ao snob Sartre, que o tentou diminuir como "filósofo", quando romperam, definitivamente: "Pourquoi suis-je un artiste et non un philosophe? C'est que je pense selon les mots et non selon les idées."

A eternidade encarrega-se de tornar justos os que, na realidade, o foram em vida.

Albert Camus é lido, relido, amado, respeitado, considerado, estudado.

Jean-Paul Sarte caiu no mundo dos mortos, no Hades, atravessando o rio do silêncio na barca de Creonte e, hoje, quem fala dele? Ninguém, como diz o romeiro no Frei Luís de Sousa.


publicado por weber às 15:56
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