Terça-feira, 8 de Junho de 2010

Carlos Brito conta-se, pouco, por interposto Álvaro Cunhal

O livro é escrito, quase em rumor, sem ruidos, com poucos sobressaltos até quase ao final.

A tensão, se tensão se pode chamar, ocorre aquando da vigência de Carlos Carvalhas como SG efectivo e após a morte de Luís Sá.

Confesso que parti para a leitura deste livro com alguma "desconfiança".

Pensei: - O Carlos Brito quer ajustar contas com o passado, o seu, com Cunhal por testemunha.

Depois de o ter lido, outro é o meu entendimento.

São memórias na primeira pessoa, mas com um pretexto "comercial" óbvio: a figura incontornável de Álvaro Cunhal.

Dizem-me que já terá esgotado duas edições.

Mas, o livro desmerece do autor e do que o titulo sugere?

Nem um bocadinho.

É um "belo" livro.

Bem escrito.

Com incidentes escolhidos.

Com histórias distribuídas como antologia.

Um compêndio das dissidências no seio do PCP e coetâneas da Perestroika. E com pormenor a "dissidência" quase vitoriosa do Novo Impulso e da Renovação Comunista em que Brito participou.

Carlos Brito destaca uns acontecimentos em detrimento de outros.

Dá informações de primeira mão sobre Melo Antunes, sobre Salgado Zenha, sobre o PRD de Eanes, sobre o apoio a Mário Soares na segunda volta presidencial contra Freitas do Amaral, sobre a coligação Por Lisboa e sobre o apoio a Jorge Sampaio na primeira volta para as presidenciais, em que derrotou Cavaco Silva.

Relata acontecimentos, que configuram um retrato de Álvaro Cunhal.

De corpo inteiro?

A preto e branco?

Nem uma coisa nem outra.

Não era o propósito do autor. Livro equilibrado. Sereno. Humano (este aspecto foi uma surpresa para mim...), mas ainda assim criterioso nos factos, nas revelações.

Um dos melhores contributos que alguma vez foram dados sobre a personagem fascinante, controversa e surpreendente que foi Álvaro Cunhal.

Imperdível. A ler este livro que a editora "NélsondeMatos" deu à estampa, da autoria de Carlos Brito a pretexto dos sete fôlegos ideológicos/políticos do príncipe dos políticos portugueses do século XX: Álvaro Cunhal.

Contudo, Carlos Brito poderia bem ter ido bastante mais além na discrição do 25 de Novembro (hoje sabe-se muito mais do que ele quis contar...), quase não fala da sua relação com Zita Seabra, diz-nos pouco sobre o Parlamento.

Carlos Brito fica-nos a "dever", a partir de agora, as SUAS memórias, contadas na primeira pessoa.

Mas este livro não tem nada de ligth, como alguma rapaziada esquerdista anda para aí a bolçar.

Bem pelo contrário.


publicado por weber às 15:33
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