Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

Os que tudo "sabem"

Em Abril de 2009 publiquei este texto, que pode ver aqui e cujo tópico passava pelo rigor com que os historiadores devem tratar o presente.

Socorri-me de Michelet, de Henry Pirenne e de Marc Bloch, judeu e partisan, assassinado pelos nazis, quando defendia a França, seu país, em 1944.

Reli-o.

Faz todo o sentido, em meu juízo, publicá-lo, outra vez:

«Na escrita dum antropólogo desconcertante, sinuoso, quanto brilhante e incontornável, Mircea Eliade, romeno, francês, americano e tendo estadiado em Portugal, escrevente de o Mito do Eterno Retorno: voltámos, sempre, de onde partimos. O meu retorno à blogoesfera teve coisas normais, satisfatórias, triviais e outras coisas terminadas...em, mais do mesmo. Mas ele há algo, que me apetece recordar. O historiador belga (dos mais importantes des Annales...), Henri Pirenne, autor de clássicos do medievo, escreveu uma história da Bélgica. Quando estava no terceiro volume, onde se tratava da contemporaneidade disse a Marc Bloch, seu amigo, companheiro de jornada cientifica e seu prócere: "Estou a sentir enormes dificuldades em lidar com este período. Está demasiado próximo de mim."

Michelet, o recuperado grande historiador da revolução francesa, e não só, dizia, que "para se escrever sobre o presente é preciso fugir dele, esquecê-lo."

Marc Bloch, esse, dizia que o presente é o passado que nos está mais próximo e, escrever sobre ele, deveria merecer-nos uma muito grande prudência e sabedoria. Quantos escrevem sobre o presente?! e com que leveza o fazem?!... Bué deles. E, então, aqueles que escrevem já sobre o futuro?!: um molho deles. E é isto que, de modo geral domina a nossa blogooesfera produtora de opinião...na actualidade.

Ele há um outro aspecto, que o meu amigo e historiador António Moreira, algarvio, gosta de dizer a cada passo:

" A ignorância é como o vento. Têm ambos o maior atrevimento."

Espinosa, esse, afirmava-o, definitivo: " A ignorância nunca foi argumento consistente."

Ele há por aí muita ignorância escondida ou travestida de eloquência de esterco e de pesporrência!

J.Albergaria»

Foto de Henri Pirenne, outro belga querido.


publicado por weber às 18:50
link do post
partilhar
Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.



. ver perfil

. seguir perfil

. 8 seguidores

.pesquisar

 

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. The End

.arquivos

.tags

. todas as tags

.últ. comentários

Chame-me Parvo….Pois é, Sr. Pedro Tadeu, é isso me...