
Agora, a pretexto de comportamentos inadequados, na fronteira da ilicitude, do antigo chefe dos serviços secretos, contratado por uma empresa privada e que para lá terá levado "segredos" de Estado, correm relatórios "investigatórios" em sede de Governo, de grupos parlamentares e de Parlamento.
Neste processo de "investigação" terão, alguns, topado em servidores do Estado que são maçons e, ao que parece, a maioria integrantes de uma mesma Obediência Maçónica a GLRP e, acrescente-se, da mesma Loja, Mozart, com o número 49 a Oriente de Lisboa (Expresso: quem é quem nos jantares da loja mozart), mas ouça-se a interessante entrevista de António Arnaut, ex-Grão Mestre do GOL à RTP- Grande Entrevista.
As barbaridades que por aí se ouvem e lêem é de bradar aos céus.
Recupero post, que por aqui publiquei em Novembro, aquando de um trabalho de fundo elaborado e editado pelo DN e que mereceu crónica a Ferreira Fernandes.
Pode lê-lo adiante: maçonaria.
E na íntegra:
«O Diário de Noticias publicou um trabalho sério, ainda que modesto, nas competências denotadas pelos jornalistas comprometidos com a matéria, mas "gigantesco" para um diário, dado que percorreu, com manchete na primeira página, as edições de Sábado, 12, Domingo, 13 e Segunda, 14 de Novembro. Não me vou atardar nas imprecisões, nas perguntas que não foram feitas, nas respostas menos rigorosas dadas pelos mais altos responsáveis das duas Obediências maçónicas portuguesas, mas, outrossim na curiosa crónica que, Ferreira Fernandes, lhe dedicou. Comecemos por a "publicar" de modo a permitir-me analisá-la e, de certo, criticá-la.
"Hoje, os maçons escondem-se de quê?
Por estes dias, o meu jornal está a dedicar várias páginas à Maçonaria. É um bom assunto. O melhor no mundo moderno ocidental, da igualdade à liberdade, está-lhe ligado. No último quarto de milénio, muitos dos nomes nobres que a História guardou foram maçons, e o seu legado, de uma maneira ou de outra, está relacionado com eles por terem sido maçons. Só para recordar um nome que parece não ter nada a ver com a frase anterior e tem: a Lisboa pombalina é luminosa porque o seu arquitecto, Carlos Mardel, foi maçom. Mas o próprio dos jornais não é fazer recolhas históricas, os seus leitores querem âncoras actuais: é assim tão forte a Maçonaria em Portugal, hoje? O bom e esforçado trabalho do meu jornal vai bater contra uma parede: muito da Maçonaria e quase todos os maçons são segredo. A Maçonaria destapa-se aqui e ali mas nunca se expõe, o resultado final de tentar focá-la acaba sempre em desilusão. O culto do segredo, por tão anacrónico, hoje, entende-se mal. A explicação mais imediata é que os maçons ganham por o ser, e fazem-no em segredo para ganharem ainda mais. Mas, ontem, António Reis, que liderou o Grande Oriente Lusitano, disse ao DN que não: serem maçons "pode-lhes causar dificuldades nas suas carreiras profissionais." Engraçado, tinha ideia do contrário: os maçons que exercem a minha profissão são mais do género a terem estátua sem eu saber porquê, do que não a terem embora a merecessem."
Logo o titulo me parece desajustado e em contradição com a última frase do cronista. Ele fala de maçons, colegas seus, que ele conhece como sendo filiados na maçonaria e que recebem prebendas e estatutos desmerecidos, "estátuas...". Logo aqui temos um aparente embaraço. Se os maçons se escondem, como sustenta FF, como sabe ele que certos jornalistas pertencem aos quadros da maçonaria? Mistério? Nem por isso. A regra em vigor é a seguinte: eu não posso dizer que um irmão meu é maçom. Contudo, qualquer maçom pode assumir-se, no espaço publico, publicado, ou em roda de profanos, como sendo-o. Portanto, FF saberá que colegas seus são maçons...por que eles o "informaram" de tal atributo, condição. Aqui temos um incongruência. Se assim foi ( e por certo foi-o...) os "maçons não se escondem, pois afirmam-se como tal".
Agora, e ainda assim, há algo de verdadeiro no titulo da crónica, mas que não é sequer estranho. Os maçons, no final dos seus trabalhos em templo , juram "não divulgar" a ninguém, maçom ou profano, o que em Loja ocorreu. Fazem-no com formalidade e integra, obrigatoriamente, o ritual em uso. Mas, pergunta-se, o militante da célula do PCP, ou do BE, ou da Secção do PS ou do PSD, não o jurando expressa e formalmente, não está, ele também, obrigado ao segredo do que nas respectivas agremiações se passa? Claro que sim. Sabe o jornalista e cidadão Ferreira Fernandes, que assim é. Sabe, também, que alguns jornalistas têm "gargantas fundas" nas estruturas de mando dos Partidos Políticos, das Igrejas e até das Maçonarias, de modo a publicar matéria sensível e interessante, que por essa via se apoderam, para a divulgar aos seus leitores. Conhece o jornalista Ferreira Fernandes o Orlando Raimundo que, durante muitos anos, foi a "voz" no Expresso de algumas das dissidências do PCP e tinha, para tal, gargantas fundas no seio de sectores muito sensíveis dos comunistas portugueses. Conhece o jornalista Ferreira Fernandes o António Vilela, da revista Sábado, que é maçom, do GOL, adormecido, que tem gargantas fundas no GOL e na GLLP o que lhe permite publicar matéria muito sensível, recolhida através daquelas, numa e noutra obediência. A abordagem de FF é desajustada, por tudo isto, e peca por falta de rigor. Contrariamente à igreja católica, que cultiva o proselitismo, e para ser eficaz precisa de ter templos abertos, de portas escancaradas, a maçonaria não cultiva aquele. Já os monastérios cristãos são diferentes. As vocações monásticas têm outras exigências e dimensões e, portanto, aqui, o "segredo" é decorrente da regra, quer sejam Franciscanos, Beneditinos, Cartuxos, Arrábidos, Dominicanos, ou até as do Carmelo. Portanto, os seus templos, tanto na maçonaria, como nas ordens monaquistas, não carecem de terem as portas escancaradas. E, de facto, não as têm. O mesmo se passa com as outras religiões do livro. O não judeu não tem acesso à Sinagoga. Um não muçulmano não tem entrada na Mesquita. E, portanto, os profanos (o sentido étimo é mesmo esse) não têm acesso aos templos, ficam fora deles. Isto vale para a maçonaria, como para as religiões do livro, não prosélitas,como vale para os partidos políticos. Ferreira Fernandes que, creio eu, abandonou o trotskismo faz algum tempo, sem partido actualmente, só se for convidado é que pode participar numa reunião do BE, do PCP, do PS, do PSD ou do CDS. A maçonaria do GOL, no Palácio da Rua do Grémio Lusitano, já recebeu Presidentes da República (Mário Soares, Jorge Sampaio), Presidentes da Assembleia da República (Jaime Gama) e já recebeu mesmo o "herdeiro" ao trono de Portugal, D. Duarte Nuno...Os media, à época, deram ampla cobertura a estas visitas. Portanto, o esconder, dos maçons...tem de ser tratado com alguma parcimónia e, sobretudo, prudência. Ambos sabemos, que grandes jornalistas foram maçons (Fernando Carneiro, Rui Rocha e Raul Rego, que chegou mesmo a Grão-Mestre do GOL) e que, na actualidade, temos bons e honrados jornalistas que o são. Sei eu, e, aparentemente, sabe-o Ferreira Fernandes, que há jornalistas, hoje em dia (que merecem pouco essa qualidade...) que entraram na maçonaria. Conheço pelo menos cinco, que não merecem a qualidade de maçom e que, quanto à de jornalista, melhor o Ferreira Fernandes que eu, para o ajuizar...Quanto às prebendas que abicham por ser maçons (admitindo que assim é...assunto sobre o qual tenho fortes reservas, pois conheço alguns casos, que são mais da ordem do bando, da tribo do que da instituição maçónica), é do mesmo teor daqueles que "mourejaram", por exemplo, no DN, contra Sócrates e que, agora, estão assessores de Ministro ou Secretário de Estado do governo bicolor. Ou não é assim, como eu sustento? Para remate de conversa: estou maçom desde 2000. Manifestei vontade e convicção para na Maçonaria entrar. Fui convidado e apadrinhado por pessoa amiga. Fui recebido e os meus irmãos me reconhecem maçom. Nunca exibi a minha condição de maçom para receber o que quer que fosse. Nem para tirar o que quer que se imagine. Antes de o ser, tinha emprego. Onze anos após mantenho a mesma ligação profissional, que, esta, se conserva há quase década e meia. Mas há, de facto, algo que recebemos, e só os maçons beneficiam desse privilégio. Conheci, aproximei-me, tornei-me amigo de pessoas excepcionais (também conheci alguns crápulas e amorais...dois deles, jornalistas de profissão; mas, como nas famílias, os irmãos não se escolhem) que, de outro modo, nunca teria a possibilidade de ocorrer. A ordem maçónica, caro Ferreira Fernandes não é secreta (esse foi o apodo que Salazar, para ilegalizar a Maçonaria, atribuiu às associações secretas...releia-se o célebre artigo do nosso Pessoa a indignar-se contra essa Lei do Estado Novo, publicado, creio eu, no DL) é, ao invés, na expressão feliz do past-Grão Mestre, António Arnaut, "discreta" e, digo eu, iniciática. Depois, o segredo simbólico da Maçonaria, não pode ser traduzido por palavras, é indizível, por que habita no nosso "coração" de maçons. É, par mim, uma honra terem-me recebido na Maçonaria e é uma honra, sempre renovada, reconhecerem-me maçom. Este é o único significado que se deve emprestar à condição de "pedreiro-livre". E mais nenhum outro. Agora, do uso, do mau uso, do uso indevido desta condição, que, ambos o sabemos, alguns maçons fazem, isso é do domínio do singular, do individual, que afecta, naturalmente, a instituição, mas cujas dores não lhe podem ser diagnosticadas. Isto vale para a maçonaria, como vale...para o jornalismo. Há jornalistas honrados, que não se vendem, que cultuam o código de valores plasmado no código deontológico, que são sábios e prudentes. Como os há que se vendem à melhor oferta, ou por um salário melhor, ou por dinheiro vivo, ou por um posto na embaixada dos EUA, ou na de Madrid, ou na de Londres. É conhecido o que se passou com o posto de adido de imprensa na embaixada de Washington, que teria sido prometido ao "socrático" de então, Mário Crespo e que, à posteriori, foi doado ao "soarista" Carneiro Jacinto. Ambos jornalistas de profissão. O ódio e o criticismo anti-socrático que depois explodiu nas crónicas e nos espaços televisivos ocupados por Mário Crespo são imediatamente a seguir a este "infausto" acontecimento... Como muitos dos meus irmãos, não me escondo. Agora, também, não ando com um badalo a anunciar-me maçom. Que me lembre, neste espaço publico e publicado, é a primeira vez que o faço. E, se for caso disso, não será, por certo, a última.»
Por curiosidade pode ler esta noticia sobre o Rei do Baião ( na foto, devidamente paramentado) maçom, iniciado em 1971, no Rito Francês Moderno e chegou à 4.ª Ordem, grau já filosófica: luís Gonzaga, pedreiro-livre.
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