Sexta-feira, 12 de Agosto de 2011

Albert Camus: toujours

Em Julho de 2008 escrevi isto:

«A 10 de Dezembro de 1957 Albert Camus, francês nascido em Argélia, desloca-se à Câmara Municipal da cidade de Estocolmo para receber o prémio Nobel da Literatura.

Nessa ocasião profere um discurso de congratulações e agradecimentos, cuja actualidade me parece duma evidência impressionante.

Nesse discurso, hoje classicizado como " O Discurso da Suécia", Camus reflecte sobre o oficio do escritor e do artista, sobre a sua ética e sobre o seu comprometimento.

Diz aí, naquele texto, uma soma de afirmativas, umas mais assertivas que outras, mas o que se pode entender como todo um programa sobre estética e cidadania: " (...) o escritor pode encontrar o sentimento de comunidade viva que o justificará, na única condição que aceite, e na medida em que ele o possa fazer, os dois encargos que fazem a grandeza do seu oficio: o serviço da verdade e o da liberdade."

Ainda falando do oficio do artista, do escritor, Camus, definitivo, sustenta: "Quaisquer que sejam as limitações pessoais, a nobreza do nosso oficio adquirirá raízes sempre em dois compromissos difíceis de sustentar: a recusa de mentir sobre aquilo que sabemos e a resistência à opressão."

Continuando a salmodiar, quase em tom de litania, mas certeiro, continua Camus:

" No mesmo lance, depois de ter falado da nobreza do oficio de escrever, coloquei o escritor no seu devido lugar; não tendo outros títulos senão aqueles que ele partilha com os seus companheiros de luta; vulnerável, mas casmurro; injusto e apaixonado pela justiça; construindo uma obra sem ódio nem orgulho, à vista de todos, sempre dividido entre a dor e a beleza, sempre destinado, enfim, a desenterrar do seu duplo ser as criações que ele tenta, obstinadamente, edificar no movimento destruidor da história. Quem, depois disto poderá esperar dele belas morais? A verdade é misteriosa e fugaz, sempre a conquistar. A liberdade é perigosa, dura para se viver e, ao mesmo tempo, exaltante. Devemos caminhar em direcção a esses dois objectivos, penosamente, mas resolutamente, certos à partida dos nossos fracassos sobre esse longo caminho."

Leiam, ou releiam, este texto impressivo, tanto quanto actual, dum dos grandes intelectuais do século XX, nascido em 1913 e falecido em 1960, vitima dum estúpido acidente de viação. Igual ao que vitimou, recentemente, o intelectual polaco - Bronislaw Geremek, cidadão da Europa.»

tags:

publicado por weber às 10:37
link do post | comentar
partilhar
:
De Jaime Santos a 12 de Agosto de 2011 às 21:00
Sem dúvida, Camus sempre! Pelo humanismo, pelo desassombro e pelo apego à liberdade...


De weber a 12 de Agosto de 2011 às 21:38
Sem mais.


Comentar post


. ver perfil

. seguir perfil

. 9 seguidores

.pesquisar

 

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. The End

.arquivos

.tags

. todas as tags

.últ. comentários

Chame-me Parvo….Pois é, Sr. Pedro Tadeu, é isso me...
Em destaque no SAPO Blogs
pub