Terça-feira, 9 de Agosto de 2011

José Sócrates perante a história

Já por aqui se disse, vezes sem conta, sobre a qualidade analítica de Val, do "AspirinaB".

Já por aqui se sustentou, recorrentemente, a bondade das escolhas do bloguista.

Val é bom d'escrita, não carece, sequer, de argumentação.

Val tem um sentido apurado de timing para a escolha dos seus tópicos, é mais do que óbvio.

O post que aqui se pode ler não é só uma homenagem a José Sócrates, não é sequer o "décimo" obituário assinado por aquele.

É bem mais do que isso.

Pressente-se alguma saudade. Um certa raiva pelas injustiças, mas a esperança do retorno e do "ajuste" de contas...com e pela história.

Subscrevo por inteiro.

Mas manda a verdade que se diga, José Sócrates não está isento de responsabilidades no percurso que lhe foi dado percorrer.

Nem é sequer o mau feitio, a impulsividade que o comandavam nas relações com amigos e adversários.

Nem é sequer algum tacticismo que o empurrou a deixar cair Correia de Campos, ou a "aceitar" Manuel Alegre como candidato "derrotado" na última disputa para PR.

Menos ainda as más relações que cultivava com "jornalistas" incómodos (Henrique Monteiro, Judite Sousa, Manuela Moura Guedes, etc).

A personalidade forte, vigorosa do engº. Sócrates levaram-no a alguns "excessos", mas seguravam-no na ética da politica. Ao modo weberiano, cultuou as duas éticas, a da convicção e a da responsabilidade, mas nunca o fez de modo equilibrado. Deixou, quase sempre, que uma delas cavalgasse a outra, quando o que se lhe exigia era um equilíbrio, difícil de conseguir em politica, mas que se é obrigado a alcançar.

Consta que o cidadão José Sócrates foi estudar.

O discurso que produziu no Altis, na noite da derrota eleitoral, a 5 de Junho p.p., perante os seus camaradas presentes e, através dos media, para os portugueses, há-de ficar como um dos momentos mais impressivos e éticos, que ocorreram na politica portuguesa dos primórdios do século XXI. A qualidade e a grandeza humana estamparam-se em toda a sua narrativa.

O desaparecimento quase instantâneo do politico é a seu crédito. Só a tragédia de ter perdido pai e irmão, em menos de um mês, o trouxeram, de novo, à ribalta mediática, mas sem imagens...nem protagonismos.

O que lhe faltou, a Sócrates, ao politico no poder, foi a frieza de um Cavaco, ou de um Durão Barroso, mesmo de um Sá Carneiro que, qualquer deles, colocou sempre a sua "carreirinha" à frente do interesse do país e do povo.

O socialista podia tê-lo feito.

Governo sem maioria na AR...encostava Cavaco às cordas e obrigava-o a apoio consistente, sem o qual lhe entregava a resolução da situação. Poderia ter encostado os partidos do arco governamental, PSD e CDS, a uma co-responsabilização. Poder, até que podia, mas não o fez. A história há-de ajuizar de tudo o que fez e ainda sobre aquilo que poderia ter feito.

Como bem disse MST, Sócrates teve a elegância e o pudor de não responder ao pusilânime discurso produzido pelo sr. Silva na sua tomada de posse como PR, em 9 de Março, p.p., sobre o qual Mário Soares afirmou  "Sócrates deve apresentar a sua demissão". O velho senador reconheceu, também, à posteriori, que os compromissos assumidos pelo primeiro-ministro de então com a UE  impediram-no de o fazer.

A história, como sugere Val, há-de "justificar" a obra de José Sócrates e há-de ainda considerá-lo, coisa que não fará com a maior parte dos nossos governantes, primeiro-ministro que tenham sido.

É isto o alcance maior da narrativa "valupiana", que se saúda e à qual se adere, totalmente.

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publicado por weber às 09:20
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