Domingo, 24 de Julho de 2011

O norueguês solitário...

O responsável do assassinato a sangue frio de quase uma centena de jovens socialistas e, provavelmente, da explosão do carro armadilhado ainda tem muito que contar.

Entretanto descobriram-se documentos de sua autoria na internet, onde desenvolve o seu pensamento e os seus propósitos, remetendo-se para uma deriva inspirada nos cavaleiros templários.

Podem, muitos cidadãos, remeter o "incidente" para uma mente tresloucada, desvalorizando-se a extensão desta "praga".

Eu, pelo contrário, considero que há um pensamento associado a uma praxis, que vai cavalgar as dificuldades da Europa e dos seus povos para disseminar pensamentos xenófobos, racistas e eurocentristas.

Infelizmente, vamos ouvir falar muito e ainda durante bastante tempo, destes bandalhos, travestidos de uma pureza étnica e de valores "inquestionáveis", dizem, dirão ELES.

Os povos, os democratas, a democracia saída das Luzes vai ter de responder, com inteligência, com coesão, deixando de lado querelas menores, para ponderar o que importa e é, de facto, importante: a Liberdade, a Democracia o Humanismo.

Leia-se isto e medite-se, não para se ficar parado, inerte, mas para nos movermos contra a BESTA hedionda, responsável pela Shoah, pelo holocausto. São os mesmos, com caras e roupas diferentes.

Foto - A cara da BESTA, Anders Behring Breivik.


publicado por weber às 13:25
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De Jaime Santos a 24 de Julho de 2011 às 14:16
Deixe-me dizer-lhe que discordo do seu gesto de associar Breivik com a Besta. Esta não tem, como se sabe, rosto humano. De Breivik já li neste dois dias muito: que é de Extrema-Direita e Xenófobo, mas um crítico dos Nazis e um admirador de Churchill. Que é Maçom, mas que a Maçonaria na Noruega é uma organização de Cristãos. Que é Protestante, mas crítico da Igreja Luterana e admirador do Catolicismo. Vou esperar até que a Investigação seja concluída antes de emitir um juízo sobre o que exactamente o terá levado a cometer esta barbaridade. Longe de mim desculpá-lo, mas parece-me antes de tudo um Homem profundamente perturbado, em quem estas ideias extremistas encontraram terreno fértil para medrar. Se calhar, poderíamos dizer o mesmo de alguns dos suicidas do 11 de Setembro. Merece claro uma punição exemplar, dentro do código e prática de justiça humana que as sociedades escandinavas nos habituaram. Mas parece-me que deveríamos estar particularmente atentos dentro das nossas sociedades para todos os perdedores do Progresso, porque é de entre esses que esse outro motor da História, o Ressentimento, produz os futuros Atas ou Breiviks ...


De weber a 24 de Julho de 2011 às 16:36
A "besta" aqui vale por uma economia de "meios" e de metáfora do MAL, para simplificar.
Ainda não sabemos o suficiente sobre Breiviks, mas já sabemos algo.
1/ Quando se deixa fotografar paramentado de maçom, isso é uma fraude;
2/ Quando invoca a sua reliogisidade, remetendo-se para diversas igrejas, isso é uma fraude;
3/Quando se assume como admirador de Churchill, isso é uma fraude.
Começemos pela Maçonaria. A divisa da ordem, que é Universal, é Liberdade, Igualdade e Fraternidade. É ainda noaquita, sustentada pelos três pilares de Noé, a Verdade, a Solidariedade e o Amor Fraterno. Qualquer que seja o rito e a proveniência, quer sejam deístas, cristãs ou outra qualquer fé, com deus revelado, quer sejam adogmáticas. Estes são os pilares. Não se vislumbra, pois, uma nesga de identidade entre o assassino norueguês e estes valores maçónicos.
Falemos, então, de cristianismo, em qualquer das variantes assumidas por ele. Todas as invocadas igrejas, cultuam e respeitam o Decálogo, que, entre outros sustenta "não matarás". Uma vez mais, não se vislumbra um nico de piedade, de amor cristão neste jovem norueguês.
Quanto a Churchil, democrata dos mais convictos que houve sobre a terra, dos mais elegantes politicos que se conhece...deve haver mistificação de algo que eu não conheço de Winston Churchill.
Falemos do que sobra no seu comentário e que é da maior importância: o Ressentimento.
O historiador francês, Marc Ferro, dedicou um pequeno tratado a esta quase categoria da historiografia. Cita vários exemplos, várias situações, diversos acontecimentos. Aborda extensamente o ressentimento na emergência da narrativa nazi. O ressentimeneto anti-judeu, curiosamente, só aparece na vida adulta de Goebbels.
Karl Adolf Eichmann , praticamente, não tem manifestações dessas, nem é sequer um ressentido. É um homem vulgar, como tão bem o define Hannah Arendt.
Mesmo Hitler não se lhe conhece qualquer tipo de ressentimento anti-judeu. Conhece-se, por que serviu como cabo na 1ª guerra mundial, um colossal ressentimento contra o Tratado de Versailles, os vencedores e a humilhação a que foi submetida a grande Alemanha. Isso sim.
Mas, deste jovem norueguês, os retratos que dele se começam a conhecer (incompletos, fragmentados, admita-se) é de um cidadão vulgar, com um percurso tranquilo, não nervoso (dizia, faz pouco, nas televisões, um vizinho). Podemos estar perante um novo Eichmann, um homem vulgar para quem o MAL se tornou uma BANALIDADE...podemos.
Para o entendermos, plenamente, precisamos de mais informação.
E aqui estou de acordo consigo...completamente.
Muito obrigado pelo seu comentário.


De Jaime Santos a 24 de Julho de 2011 às 20:24
Deixe-me esclarecer uma coisa, embora julgo que compreendeu o sentido do meu comentário anterior. Quando falei em ideias extremistas, referia-me ao seu post original. Não quero de modo nenhum associar seja a Maçonaria, seja o Cristianismo ao tipo de acções perpetradas por Breivik. Há fundamentalistas cristãos que assassinam pessoas em clínicas que praticam abortos nos Estados Unidos, em actos que eu classificaria de terroristas, assim como haverá lojas maçónicas mafiosas. Mas dizer que uma doutrina ética, religiosa ou política é intrinsecamente maligna só pelos actos dos seus membros mais radicais, ou de gente simplesmente criminosa, é claramente abusivo (diria o mesmo do islamismo que tem correntes místicas não-violentas como o sufismo ). Se não fosse abusivo, teríamos igualmente que rejeitar as conquistas da Revolução Francesa devido aos crimes praticados durante o Terror. Quanto a Churchill, por muito admirável que seja o seu Anti-Fascismo , note que era um Imperialista. Talvez seja daí que vem a admiração que Breivik sente por ele. Em relação a Eichmann, bom, era um mero burocrata que procurava agradar aos seus superiores e que não parece ter odiado as suas vítimas. Breivik, pelo contrário diz-se um Idealista. Não acho que haja nele nada de Banal, como muitos serial killers , era um indivíduo pacato até ao dia em que o dique rebentou... Mas volto ao meu ponto de partida, é demasiado cedo para perceber quais as motivações que o levaram a fazer isto...


De weber a 24 de Julho de 2011 às 20:39
Estou de acordo com o seu ponto de partida..."ainda é cedo para percebermos a extensão da coisa..."


De Marcelo Bayer a 24 de Julho de 2011 às 18:47
Só tenho um coisa a dizer sobre isso: Maçon ele não era. Ele está usando avental de venerável e não tem idade pra comandar uma loja.


De weber a 24 de Julho de 2011 às 19:29
Muito, mas mesmo muito, bem observado.


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