Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

Rentes de Carvalho no Câmara Clara

 

Como por aqui se sabe, gosto, muito, de José Rentes de Carvalho.

Gosto da sua voz literária, que tenho vindo a descobrir.

Cultuo o personagem, que tenho vindo a construir.

Admiro, e dele sou visitante diário, o seu blog "o tempo contado".

Nem sempre me identifico com as opiniões, mas admiro-lhe a lealdade, a frontalidade, a assertividade e, sobretudo, a franqueza.

Ontem, dia 17 de Abril, as minhas expectativas eram enormes. Ia, finalmente, ouvir, ver o meu muito apreciado escritor, trasmontano, nascido em Vila Nova de Gaia, há já 81 anos.

Pode seguir aqui o curso da "entrevista" (suposta...), "conversa" (previsível...):http://camaraclara.rtp.pt.

Devo dizer, que nunca gostei da "pose", do "ar" de Paula Moura Pinheiro, responsável do programa da RTP2.

Acho-a leve, às vezes a soletrar os tópicos, mal preparada e dando-se ares de erudita.

Mas, quando não nos podemos "alcandorar" ao nível dos nossos convidados, que fazer?

O que fez o José Rodrigues dos Santos na entrevista que tomou a Umberto Ecco: deixa-se falar o entrevistado!

Simples, não é verdade?

Para todos, menos para Paula Moura Pinheiro.

Violentei-me em frente da televisão.

José Rentes de Carvalho, de uma educação sem falhas, ouviu a senhora, com uma paciência chinesa e, de quando em vez, lá lhe pedia desculpa por ter de a interromper.

O exercício que assistimos, ontem, no Câmara Clara, foi muito nebuloso.

A senhorita babava-se com notas biográficas do seu convidado, lia páginas quase inteiras do livro "Com os holandeses", porventura o menos "interessante" deste enorme escritor português,  trasmontano.

O interesse deste livro revela-se na Holanda e é uma espécie de espelho em que os neerlandeses "gostam" de se mirar.

Para NÓS, temos: Montedor, A Amante Holandesa, Ernestina, O Rebate, A Sétima Onda, La Coca, O Tempo Contado, designadamente.

A entrevista... de uma mediocridade a roçar a incompetência.

A presença do escritor compensou, um pedaço, o desastroso desempenho da senhorita, mas denota que as "prima-donas" não se enxergam.

O papel de um entrevistador é o de entrevistar, deixar os telespectadores "verem" quem nós queremos mostrar, descobrir.

O que a senhora P.M.P. fez, ontem, a Rentes de Carvalho, foi escondê-lo, afogá-lo num rumorejar, que mais pareciam cacarejos de palavras, pseudo análises, opinativos comentários.

Um desastre.

Irritei-me, mesmo.

Apeteceu-me partir a televisão e tive vontade de bater na senhora.

Perdeu-se, pois, uma oportunidade de se saber mais sobre a obra, sobre o escritor e sobre a sua voz literária.

E assim vai a cultura na TV pública.


publicado por weber às 11:54
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