Domingo, 27 de Fevereiro de 2011

Paulo Ferreira

 

Não conheço.

Parece que escreveu um livro.

Dizem-me que publicou um romance.

O que tenho a certeza é que a Ana Cássia escreveu uma certeira, em abstracto, crónica a pretexto de mal amanhados, mas podíamos até estar a falar de peixe, chaputa, carapau, peixe-galo, lúcio ou até percas. 

Mas, este jogo das profissões que dão, ou não dão, bons escritores é engraçada.

O único Nobel da Literatura...era serralheiro-mecânico.

O Fernando Namora, que poucos sabemos quem é, era médico.

O Torga, que há quem considere um bom poeta, era estomatologista.

O lambido pela critica, até pelo Eduardo Lourenço, Gonçalo M. Tavares era Professor de Epistemologia na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa e publica, desde 1992, artigos sobre desporto, epistemologia e filosofias e artes do corpo.Era uma espécie de sucessor do Professor Manuel Sérgio, que, ao que se sabe, não virou romancista.

Mas leia-se de seguida a crónica, certeira, quiçá matreira, da blogger, a minha eleita, a ungida, literariamente falando, Ana Cássia Rebelo:

"

O Rui Lagartinho, no Público, escreve sobre o romance de estreia do Paulo Ferreira. Termina assim: “impressiona-nos que subsistam editoras que se dão ao luxo de se demitir da sua função mais nobre, deixando chegar às livrarias esboços mal-amanhados de romance como este”. Não conheço o Paulo Ferreira nem li o livro que escreveu. Sou incapaz de avaliar o acerto da crítica do Rui Lagartinho. Porém, o que diz em relação às editoras é bem verdade. Há editoras, a Quetzal é uma delas, que catam autores da blogosfera como se fossem piolhos, não percebendo que à blogosfera se vão buscar as pipocas doces e demais apreciadoras de sapatos de saltos compensados. Não se encontram na blogosfera bons escritores e boas escritoras. E não se encontram por uma razão simples. Não estão lá. O tempo da escrita literária é diferente do tempo da escrita blogosférica, corrida, desabrida, concreta, para consumo imediato. O tempo da escrita literária exige entrega e disponibilidade. É um tempo de solidão e angústia. É constrangedor encontrar esses livros mal-amanhados, como lhes chama o Rui Lagartinho, nos escaparates das livrarias. Até porque, quase sempre, são escritos por homens e mulheres interessantes, que, sendo bons bloggers, são maus escritores. Tais livros, no entanto, são sempre bem promovidos pelas editoras, as capas são catitas, os autores vão à televisão, dão entrevistas nos suplementos literários e os críticos amigos cumprem o seu papel, fazendo críticas jeitosinhas. De que vale escrever um mau livro?
              

publicado por weber às 11:04
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