Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010

Quinquilharia natalícia

O frade franciscano e capuchinho, Fernando Ventura tem um discurso, aparentemente, "iconoclasta".

Em entrevista à SICnoticias já tinha dito ao que vinha.

Tornou-se numa espécie de vedeta no Youtube com milhares de visitas.

Agora dá uma entrevista ao SOL, que a publicou na sua revista Tabou.

Pode lê-la aqui.

E este pedaço, para salivar:

«Para si, quais são os grandes desafios com que a Igreja se debate? Como encara a polémica da pedofilia e o casamento dos padres?
É uma vergonha para a Igreja a pedofilia, mas oxalá só os padres fossem pedófilos. A sociedade estaria melhor. Em relação ao casamento dos padres, é uma questão simplesmente de política de norma, que mudará com o tempo. Tudo isto são elementos de reflexão importantíssimos, mas não é por aí que temos de começar.

Então por onde é?
Tem de se começar por explicar a toda a gente da Igreja, sem excepção, a diferença entre poder e serviço. Em vários contextos, senti-me envergonhado de ser padre, diante da miséria e da prepotência de gente que tinha a obrigação de estar ao serviço dos pobres. Critico alguns senhores de cabeção e hábito de serem uns vaidosos insuportáveis. Parece que têm Deus na barriga. E andam a arrotar Deus por todos os lados. São pessoas que dão razão a Marx, que dizia que a religião é o ópio do povo . São pessoas que se aproveitam da fragilidade do povo para o apoiar, para lhe dar conselhos. E dar conselho a alguém, a não ser que seja mentalmente incapaz, é uma falta de respeito. Diante de alguém com um problema, a minha obrigação primeira é ouvir, filtrar a mensagem, mas dar ao outro a liberdade de ser gente.

Como vai ser o seu Natal?
Eu tenho a depressão da quinquilharia natalícia . Se pudesse, nestas alturas ia para um país árabe. Incomoda-me muito a quinquilharia de Natal. E chateia-me o bonzismo natalício , a ideia de que temos de ser muito bonzinhos no Natal. Tento passá-lo sempre com o meu pai. Enquanto frades, temos a obrigação de passar o Natal nas comunidades onde estamos. Estou aqui com os meus frades, na ceia de Natal e depois vou ter com o meu pai ao Norte.»

Não subscrevo tudo o que diz o frade capuchinho.

Aqui e acolá sente-se um pouco de demagogia.

Mas, no essencial, o homem não só tem razão, como coloca, com bruteza e vernáculo o dedo nas feridas que assolam Portugal.


publicado por weber às 10:45
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