Domingo, 19 de Julho de 2009

Hoje, Sá Carneiro, se fosse vivo, festejaria 75 anos

O D.N. dedica a esta efeméride um exercício inconsequente, mas, ainda assim, estimulante: o que lhe devemos como regime?

Alguns politólogos, Maltez e Meirinho afirmam sem estremecer: "devemos-lhe a democracia pluralista."

Veja-se aqui

Foi, em vida, personagem controverso, de rupturas, arguto, manhoso, frio e com uma capacidade de ler o país, como poucos.

Fê-lo antes do 25 de Abril, quando integrou a ala liberal, na Assembleia Nacional ao tempo de Marcelo Caetano; visitou presos políticos comunistas, pediu liberdades, sobretudo liberdade de imprensa, esteve ligado ao Expresso de Pinto Balsemão e, logo a seguir ao 25 de Abril, criou um partido social-democrata, O PPD.

Natália Correia dedicou-lhe poemas.

Agustina Bessa Luís escreveu-lhe um romance, depois da morte, O Menino de Ouro.

Em vida, no Verão quente de 1975, quando ("por razões de doença...") se deslocou e estadiou umas semanas em Londres, o velho Emídio Guerreiro, exactamente com 75 anos, assumiu a liderança do PPD, para enfrentar a deriva esquerdista que o país estava a viver, chamou-lhe "cobarde e que tinha inventado uma doença para fugir para bem longe...".

Quando a ala moderada e de direita das forças armadas venceu no 25 de Novembro de 1975, Sá Carneiro "melhorou" e voltou.

Ainda hoje não se sabe ao certo de que padecia Sá Carneiro.

Morreu em 1980, num desastre de avião.

Morreu cedo, com 46 anos, o que deu para criar vários mitos...

Se tivesse vivido, por exemplo, quase de certeza teria sido humilhado nas presidenciais de 1980, em que Ramalho Eanes se recandidatou contra o candidato conservador, apoiado por  toda a A.D., Soares Carneiro.

Eanes tinha o apoio do PCP, do PS/Secretariado (Mário Soares tinha-se distanciado de Eanes...) e de muita gente anónima. Teve uma vitória esmagadora.

A pergunta que se pode fazer: teria Sá carneiro, como politico, sobrevivido ao "desastre" eleitoral?

Ficou ainda da vida deste advogado portuense, de boas famílias, uma paixão avassaladora, com uma dinamarquesa, que se apaixonou por Portugal: Snu Abecassis.

Sobre isto, em minha opinião, ainda não se escreveu o suficiente.

J.A.

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publicado por weber às 10:42
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