Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Manuel Gusmão

A MEIO DO CADERNO


Ao meio das folhas, no meio das vozes
que abrem e cantam a clareira, a corda
de algodão delgada e branca que atravessou
quatro orifícios, quatro furos petrolíferos,
dá o nó e o laço
que seguram as páginas de terra e
formam o caderno. Nas praias imóveis
nas suas ondas quietas, na rugosidade
branca das suas verdes folhas, podes
agora
escrever na leitura o livro
entre ti e mim tecido/entretecido
das sílabas vivas do surdo clamor
do mundo, do vivo enquanto
vivo.

Beija o anel do luar e
do sol: a música do mundo
presa na haste viva que o livro
hasteia branca e vermelha.


Telhados de Vidro, n.º 10, Averno, Lisboa, 2008.

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publicado por weber às 19:41
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De Logros a 15 de Julho de 2009 às 21:08
Muito boa revista, a "Telhados". Que, com feroz independência e sem exibicionismos gráficos, nos surpreende sempre.
Quanto ao poeta Gusmão, excelente.

I.


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