Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Florbela Espanca

 "Soneto de extrema e sensual vibração, num léxico romântico (as mármores, os veludos, as sedas pálidas, as dolências...).
Existem uns meninos "pós- modernaços" que desataram a apoucar a Florbela e a metê-la a ridículo.
Mas, esta poesia, que foi pioneira no seu tempo, resiste e resistirá enquanto houver paixão, mesmo que não consumada, "et pour cause", entre homens e mulheres.

Florbela e Régio foram dois poetas, hoje fora de moda, que em tempos de ditadura e de Concordata salazarenta, nos permitiram manter a insurreição emocional e amorosa. Essa história está ainda por fazer:
Régio com o seu "Não vou por aí/Só vou por onde me levem meus próprios passos" (Cântico Negro); Florbela naquele soneto, onde diz:
"Quem disser que se pode amar alguém/Durante a vida inteira, é porque mente".

Até breve.

I."
 

Os versos que te fiz

 

Deixe dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

 

Tem dolencia de veludo caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

 

Mas, meu Amor, eu não te digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !

 

Amo-te tanto ! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz.

 

Florbela Espanca

 

 

Caros leitores,

1/É muito bom ter amigos;

2/É muito bom ser capaz de fazer amigos;

3/È muito bom termos quem queira ser nosso amigo;

4/É excelente fazermos amigos sensíveis, inteligentes, inquietos, frontais e assertivos;

5/É excepcional que um dos nossos amigos recentes seja, ao mesmo tempo, poeta, do Porto, scorpius e de uma grande bondade para com este pobre "fabbro" e adrede a tudo isto: uma enorme MULHER.

Agora, façam-me o favor de reler aquele seu comentário, da Inês Lourenço, sábio, competente e de uma veracidade à prova de bala, que me serviu de introdução a este magnifico soneto.

J.A. 

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publicado por weber às 02:39
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De Logros a 9 de Julho de 2009 às 20:50
Soneto de extrema e sensual vibração, num léxico romântico (as mármores, os veludos, as sedas pálidas, as dolências...).
Existem uns meninos "pós- modernaços" que desataram a apoucar a Florbela e a metê-la a ridículo.
Mas, esta poresia, que foi pioneira no seu tempo, resiste e resistirá enquanto houver paixão, mesmo que não consumada, "et pour cause", entre homens e mulheres.

Forbela e Régio foram dois poetas, hoje fora de moda, que em tempos de ditadura e de Concordata salazarenta, nos permitiram manter a insurreição emocional e amorosa. Essa história está ainda por fazer:
Régio com o seu "Não vou por aí/Só vou por onde me levem meos próprios passos" (Cântico Negro); Florbela naquele soneto, onde diz:
"Quem disser que se pode amar alguém/Durante a vida inteira, é porque mente".

Até breve.

I.


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