Sábado, 4 de Julho de 2009

Inês Lourenço: poeta

Floriram por engano as rosas bravas

Floriram por engano as rosas bravas
No Inverno: veio o vento desfolhá-las...
Em que cismas, meu bem? Porque me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?

Castelos doidos! Tão cedo caístes!...
Onde vamos, alheio o pensamento,
De mãos dadas? Teus olhos, que um momento
Perscrutaram nos meus, como vão tristes!

E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos...

Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze – quanta flor! – do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?

 

 

Camilo Pessanha


Fonógrafo
Clepsidra
e outros poemas


Colecção Poesia
Edições Ática
1973

 

PS- Em jeito de resposta ao comentário. E ele é sempre um bom pretexto para publicar Camilo Pessanha.

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publicado por weber às 19:24
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De Peter a 5 de Julho de 2009 às 00:49
belissimo poema.peter


De weber a 5 de Julho de 2009 às 12:05
Sem sombra de dúvidas.
É preciso ler Pessanha.
J.A.


De Logros a 5 de Julho de 2009 às 04:00
Com as rosas bravas de Camilo Pessanha

para o J. A.


Espera-se das rosas bravas
que não obedeçam aos ritmos
sazonais. Que façam a sua precoce
ou tardia floração ao primeiro ou
derradeiro dia de morna ventura,
sem canteiro nem cuidados, espinhos e hastes
escondidos em qualquer velho muro ou
jardim perdido. Não importa se o vento
as desfolha ou a neve as petrifica
se lograram bravas rosas o engano de florir
sempre que alguém lê esse poema.


I. L.


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