Sábado, 4 de Julho de 2009

O poeta

Caminho

Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...

Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...

Porque a dor, esta falta d'harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,

Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.

 

 

Camilo Pessanha


Clepsidra
e outros poemas


Colecção Poesia
Edições Ática
1973


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publicado por weber às 10:56
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De Logros a 4 de Julho de 2009 às 17:01
E aquele poema:

"Floriram por engano as rosas bravas" (...)

I.


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