Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

A poesia de Sophia

Pátria

Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro

Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Do longo relatório irrecusável

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas

- Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro

Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

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publicado por weber às 00:13
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De Logros a 3 de Julho de 2009 às 18:59
"Inversa navegação
Tédio já sem Tejo
Cinzento hostil dos quartos
Ruas desoladas
Verso a verso
Lisboa anti-pátria da vida"

(1978)
in Navegações (XV)

Há "tudo" nos grandes poetas, as sombras, tam,bém...

I.

S. M. B. A.



De weber a 3 de Julho de 2009 às 21:31
É exacto.
Os grandes poetas dão-nos TODA a humana dimensão, dão-nos o verso e o reverso, dão-nos a coisa e o seu contrário, dão-nos a luz resplandescente e as trevas devoradoras.
E a Sophia tem outra singularidade: dá-nos as coisas, sempre, RENTES...."à linha do horizonte", "ao mar", "à luz lunar", "aos ossos".
Abraço,
J.A.


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