Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

"Eu não sou amigo de Pacheco Pereira, mas amo a verdade"

Cada qual tem direito à sua opinião, se defendida com argumentos e com alguma coerência, digo eu.

Eu sempre zurzi, sempre que para aí estava voltado, no J.P.P., quando este veste aquele execrável fato de militante "maoista", passado pela versão pós-liberal de direita.

Mas, em coerência, não posso, a partir daquilo que critico em J.P.P., valorar uma posição dele, que me parece certa e justa.

Alguns opinadores, nos blogues e nos jornais, deixaram-se cair nesta esparrela. Alguns com sanha persecutória (do género: cá se fazem cá se pagam...), outros com um enlevo incomensurável e, outros, com arremedos de ironia graciosa. Houve de tudo.

Agora, a verdade é esta, cujo autor é JPP:

(reproduzido do Abrupto)

"PAGA-SE UM PREÇO POR CRITICAR OS JORNAIS,

embora muita gente que os leia não se aperceba das pequenas vinganças e desconsiderações. A capa do i de hoje é um bom exemplo. Não me pronuncio, como é óbvio, sobre a "entrevista" de Menezes que está ao seu nível e que não me surpreende. Mas surpreende-me que um jornal que se pretende sério escolha uma frase insultuosa para título, e isso é de sua responsabilidade.

Sucede que, na quarta-feira passada, o i tinha-me pedido uma entrevista de fundo. Por consideração com a Maria João Avilez que ma pediu, dei a entrevista, estando presente uma equipa de televisão e um fotógrafo do jornal. Mas enganei-me quanto à seriedade do jornal a que dei a entrevista, pelo que, a não haver um pedido de desculpas pela afronta, não autorizo a sua publicação, facto que já comuniquei à Maria João Avilez."J.P.P.

 

Desde logo, vai-se às páginas interiores, onde o jornal publica a entrevista e o titulo diz coisa diversa "Pacheco Pereira é a loira do regime".

Recordo-me eu, há já um bom par de anos, era JPP cronista/comentador no D.N. e chamaram a manchete de primeira página qualquer coisa do género " X arrasa Pacheco Pereira". Nesse mesmo dia, J.P.P., "rescindiu" o contrato que o ligava ao D.N.

Isto chama-se, em meu entendimento, dar-se ao respeito. E acho que J.P.P. fez muito bem.

Aquilo que agora ocorreu no i é ainda mais civilizado. Pede J.P.P. que o jornal lhe apresente desculpas. Se não o fizer (e, claro está, que o jornal tem esse direito...) não há entrevista com J.P.P. e, este, tem, também, toda a legitimidade para assim proceder.

Qual é o problema?

Só porque se trata de alguém de quem não se gosta, de alguém que nos irrita recorrentemente, de alguém que é nosso adversário politico e ideológico? Só por isso lhe denegámos o direito que ele tem e que pode muito bem exercê-lo?

Imaginemos que alguém afirmava que "Francisco Louçã é a loira da extrema esquerda", ou que "Manuela Cruzeiro é a loira dos historiadores", ou que  "Rui Tavares é a loira dos deputados europeus" e que esta frase tola, despudorada, e, nos casos vertentes (como o foi no caso de J.P.P.) completamente, desajustada, era manchete de uma jornal que se quer de referência.

Quantos vozes, nobilíssimas, se levantariam até nos ensurdecerem, em defesa do respeito (sim, porque o respeito que é devido aos amigos é muito bonito!) destes intelectuais, de qualidade inquestionável, de moral à prova de bala e de honestidade irrepreensível?

Como o incidente foi com o Pacheco Pereira...é malhar vilanagem!

Ah!, é perfeitamente irrelevante que o autor da boutade seja o promotor daquele evento, que ocorre em Gaia e dá pelo nome de "Clube dos Pensadores".

Nem esse facto ajudou a alguma contenção verbal.

Ele há comentadores que, no afã de chegarem primeiro, nem as pensam!

E então aquele, que se põe em bicos de pé, reclamando igual espaço mediático (que J.P.P. tem) para o inteligentíssimo Vítor Dias, que, só por ser do PCP (afirma o tal Almeida), foi afastado do espaço de comentário mediático.

Distraído anda este Almeida.

O Público do Zé Manel, convidou-o, e ele aceitou, para comentar Eleições 2009 num espaço criado para o efeito, onde já colocou 62 postes autorais.

Para quem já não conta (foi "despedido" no C.C. no último congresso do PCP e, agora é, só e apenas, assessor para a cultura na Câmara da Moita...) entre as hostes comunistas, menos ainda no dirigismo partidário, convenhamos que é "pedir" muito. 

J.A.

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publicado por weber às 16:01
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De Logros a 22 de Junho de 2009 às 21:53
Hmmm, já foi ao "Jugular" ver o post sobre o assunto?
Não deixa de ser interessante ler a questão de um ponto de vista jornalístico.Até porque a personagem não tem, ao contrário de outros que ele tem enchido dos piores sarcasmos, representatividade nacional.
Isto não é uma questão de vindicta é uma questão de coerência ética.
Como diz o povo não podemos querer "um deus para nós e um diabo para os outros".
Se agora "as auto-estradas de informação" abrigam estes "estilos", ainda há outro provérbio: "Ou há moralidade ou comem todos".

Até breve

I.


De weber a 22 de Junho de 2009 às 22:46
Já lá fui.
Como, também, já li uma "tonelada" de postes sobre a matéria.
Mas, que quer que eu faça?
É este meu jeito para a tolerância, para uma certa severidade ética e, sobretudo, uma dificuldade em "conviver" com posições, atitudes e/ou campanhas "ad hominem".
Dir-me-á: - A cama a fizestes, nela te hás-de deitar.
Eu sei.
Mas já não tenho idade para mudar, nem para tentar mudar quem quer que seja.
Menos ainda, por maioria de razão, a minha boa e estimada amiga.
Abraço grande,
J.A.



De Logros a 22 de Junho de 2009 às 23:16
Concordo que não foi bonito terem-se servido duma foto, que era para a sua própria entrevista, se é que assim foi. São modos de proceder traiçoeiros, com os quais não me identifico.
Mas, meu estimado amigo, críticas "ad hominem" é o completo reino pachecal & c.ª. Eu lembro-me muito bem de ter ouvido a digna Ferreira Leite chamar ao PM, "coveiro da Pátria".
Eu, entre coveiros e Anitas Ekberg, preferia de longe a segunda hipótese.:)))))


Ab.
I.


De weber a 22 de Junho de 2009 às 23:50
Sobre o Pacheco estamos de acordo.
A minha critica vai para o Director do I, que, em principio, é o responsável da 1.ª página, o que faz os titulos, os destaques e as manchetes.
Essa é a minha critica.
A escolha é minha.
Outros escolheram recordar ao Pacheco o seu, dele, modus operandi.
Cada um escolhe os ângulos que entende para enfocar a realidade.
Desta vez bati no I e, acho, que tive razão.
Um jornal, que pretende preencher o espaço que o Público (tudo o indica) vai libertar, não pode fazer coisas destas.
A entrevista do Menezes, o que ele diz de MFL, do Pacheco e da vidinha dele, é o menos importante no meio disto tudo.
A metáfora do filme do Fellini, perfeitamente irrelevante na boca ardilosa do edil de Gaia.
O que eu escolhi para criticar foi o jornalismo de Sábado passado do I.
O meu empenho decorre ainda de me terem pedido, gente ligada ao I, uma análise critica ao jornal.
Ando a lê-lo, faz já quinze dias e...estava a gostar, com algumas pequenas observações menos positivas.
Abraço,
J.A.


De vítor dias a 29 de Junho de 2009 às 20:19
Como se calculará, por razões óbvias, não me passa pela cabeça convalidar o exemplo que generosamente o Nuno Ramos de Almeida deu ao citar o meu nome.

Mas, entretanto, já não posso deixar de chamar a atenção para que a «desculpa» invocada neste «post» de que eu já não contaria nada nas hostes somunistas vem completamente a despropósito e revela um profundo desconhecimento dos critérios do Público pelo menoo quanto aos comunistas.

É que ser dirigente de «peso» do PCP sempre pesou negativamente para o Público e eu próprio só tive uma coluna de opinião naquele jornal durante um ano depois de ter deixado de ser membro da Comissão Política do PCP.

Critério geral ? Nem pensar ! O Fernando Rosas foi colaborador do Público - e escrevia sobretudo sobre temas directamente políticos - durante 14 anos e boa parte dos quais sendo um dos mais destacados dirigentes do BE.

Quanto ao blog do Público eleições 2009 só esclarecer que não é assim um generosidade tão grande ter um comunista entre mais de 100 colaboradores e que quem sugeriu o meu nome foi o Prof. André Freire.


De weber a 29 de Junho de 2009 às 20:55
E o caso do Ruben de Carvalho, que continua a fazer comentário politico e, na Antena 1, a participar num belíssimo programa sobre música (Crónicas da Idade Media, creio que é assim que se chama o program, não conta?


De vítor dias a 29 de Junho de 2009 às 21:05
Desculpe mas eu falo de alhos e o Weber responde-me com bogalhos.
Porque é que me vem falar do Ruben ( e poderia falar do Octávio Teixeira na SIC e na RDP) se eu jamais enunciei a teoria de que todos so comunistas estavam silenciados em toda a comunicação social ?


De weber a 29 de Junho de 2009 às 21:25
Tem toda a razão.
Esqueci-me do Honório Novo, da Ilda Figueiredo, do Bernardino Soares, do António Filipe (até participa em júris que atribuem prémios a conterrâneos da diáspora...na RTP 1) e daquela jovem, creio que Margarida, com assento no que eu chamo de "parlamento dos pequenitos", na RTP 1.
Eu percebi o seu melindre.
Mas o meu "comentário" é livre.
Como é livre a leitura que eu fiz do poste do tal Almeida, uma vezes, outras, quando estava para aí virado, Tito Morais.
O ponto de vista é meu e sou eu que o escolho.
E, para terminar: responder aos seus "alhos" com os meus "bogalhos"!...não há-de vir nenhum mal particular ao mundo.
Não lhe parcece?


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