Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Paul Ricoeur

Paul Ricoeur foi, provavelmente, dos filósofos mais produtivos, criativos e sólidos do século XX. Nas academias francesas, alemãs, suíças e americanas sabe-se quão importante ele foi.
Em Portugal não tenho a certeza do que pensam os entendidos.
Sei que o o professor Fernando Catroga, uma das nossas mais luminosas cabeças da historiografia actual, versado numa multitude de assuntos, desde a maçonaria, passando pela morte, até à epistemologia da história, o considera sobremaneira e o cita com assiduidade.
Dum texto saído duma conferência feita em Lausanne em 1985, Le Mal, deixo um pedacito para aguçar o apetite:
"
I . A experiência do mal: entre a censura e a lamentação
O que faz o carácter de enigma do mal é o facto de nós colocarmos sob uma mesma expressão, pelo menos na tradição do ocidente judeo-cristão fenómenos tão dispares, numa primeira aproximação, como o pecado, o sofrimento e a morte.Podemos mesmo dizer que é porque o sofrimento é, constantemente, tomado como termo de referência que a questão do mal se distingue da do pecado e da culpabilidade. Antes de se afirmar o que, no fenómeno do mal cometido e do mal sofrido, aponta em direcção dum enigmática profundidade comum - é preciso insistir na disparidade do principio.
No rigor do termo, o mal moral - o pecado em linguagem religiosa- designa o que faz da acção humana um objecto de imputação, de acusação e de censura."

Este texto é de mor actualidade e importância para valorar comportamentos destes tempos hodiernos, que envolveu fariseus da politica, da finança, dos negócios, do futebol e até o nosso "inquestionável" P.R., o cidadão Aníbal Cavaco Silva, que se viu envolvido naquele negócio das acções que comprou, por favor a 1,00€ e vendeu ao BPN, por favor, a 2,4€.

O mal tudo corrompe, tudo emporcalha, tudo enlameia, tudo embrutece.

Leia-se este texto e percebe-se, ainda, a relação "espantosa" entre crime e castigo, entre mal e punição, entre pecado e perdão, ou ausência dele.

Riquíssimo texto: imperdível.
J.A.
 

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publicado por weber às 19:20
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De Logros a 18 de Junho de 2009 às 03:52
Não simpatizo muito com a palavra "pecado", precisamente pelas suas conotações dogmáticas.
Prefiro, de longe, a palavra "erro". É muito mais "epistemológica" :)))
Quanto a "mal" e "sofrimento", que nem sempre são miscíveis, de facto, uff...onde nos levaria a reflexão!

Deixo para o J. A., este do nosso Luís Vaz:
___________
ESPARSA AO DESCONCERTO DO MUNDO

"Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos:
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que só para mim
Anda o mundo concertado."


De weber a 18 de Junho de 2009 às 08:51
O Paul Ricoeur faz uma abordagem do "pecado" a partir de uma grelha teologica, dái o uso do conceito.
Agora, minha boa amiga, tem mesmo razão. O nosso Camões precisa de ser LIDO, relido, direi mesmo, TRESLIDO: está lá quase tudo.
Abraço,
J.A.


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