Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Florbela Espanca

De Vila Viçosa...para Matosinhos e, daqui, para o nosso mundo da poesia.

 

 

 

 

 

 

Diz-me, Amor, como Te Sou Querida 

 

Dize-me, amor, como te sou querida,
Conta-me a glória do teu sonho eleito,
Aninha-me a sorrir junto ao teu peito,
Arranca-me dos pântanos da vida.

Embriagada numa estranha lida,
Trago nas mãos o coração desfeito,
Mostra-me a luz, ensina-me o preceito
Que me salve e levante redimida!

Nesta negra cisterna em que me afundo,
Sem quimeras, sem crenças, sem turnura,
Agonia sem fé dum moribundo,

Grito o teu nome numa sede estranha,
Como se fosse, amor, toda a frescura
Das cristalinas águas da montanha!

 

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"


 

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publicado por weber às 00:05
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