Sábado, 13 de Junho de 2009

Fernando Pessoa: um ser múltiplo

Fernando António Nogueira Pessoa nasceu a 13 de Junho de 1888, em Lisboa e morre, na mesma cidade, em 1935 vitimado pela tuberculose.

Dizer de Fernando Pessoa, será o mesmo que falar de quem se conhece faz muito tempo.

A Inês Lourenço, poeta, com banca montada no Porto e de qualidade, com uma oficina de fino recorte, camoniana e pessoana de estadão, hoje, por certo, dirá de Pessoa, de modo competente e certeiro o que importa dizer.

Eu, modesto leitor, resta-me celebrar o maior poeta da primeira metade do nosso século XX.

Hoje, diz-se, de Pessoa, em todas as línguas, que é um dos grandes poetas universais, a par de Homero, Virgílio, Píndaro, Petrarca, Goethe, Dante, Safo, Rimbaud, Baudelaire, Wilde, Yeats, Witman, Cesário Verde, Antero, Sofia e....

Os heterónimos, não sendo uma originalidade (António Machado, o meu andaluz, já tinha, antes do nosso Pessoa, percorrido essa vereda, com biografia, retrato e tudo para os seus heterónimos, personagens consistentes...), Pessoa levou-os a um nível nunca suspeitado (já o francês nos tinha avisado: "Je, c'est  un autre") e, como bem me disse, uma vez, Inês Lourenço: deu-lhes uma coerência interior e exterior e, sobretudo procedeu  a uma dialéctica narrativa entre eles. Aqui o espanto!

Que modo escolher para festejar Pessoa?

A sua poesia.

Nem mais e sem mais delonga.

Do mestre:

 

Segue o teu destino

 

 

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.

O resto é a sombra
De árvores alheias.

 

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.

Só nós somos sempre

Iguais a nós-próprios.

 

Suave é viver só.

Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.

Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

 

Vê de longe a vida.

Nunca a interrogues.

Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

 

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.

Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

 

Ricardo Reis

 

PS-Até o Ricardo Reis nos aconselha a amar-mos as nossas rosas. Este bom gosto vem de longe...

 

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publicado por weber às 11:03
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De Logros a 13 de Junho de 2009 às 13:07
J A, obrigada pela sua gentileza. Mas, olhe que "pessoanos" e "camoneanos" são, normalmente os "expert" académicos que publicam ensaios sobre essas temáticas. Não é o meu caso, embore os cite nos meus livros e tenha sido aluna de um grande pessoano, já falecido, José Augusto Seabra, cuja tese de doutoramento na Sorbonne, sob a orientação de Roland Barthes, se intitulou precisamente "Fernando Pessoa ou o Poetodrama". Logo, é muita bondade sua, mas trabalhos escritos sobre o dito, só no âmbito da frequência das respectivas cadeiras, os realizei.
Porém, quer Camões quer Pessoa, continuo e continuarei a "frequentar, até morrer.

I.


De weber a 13 de Junho de 2009 às 16:43
O pessoana e o camoneana, que lhe atribuí foi no sentido do "amor amado", que é o modo mais bonito e profundo de gostar de alguém, através do que ele fez!
Junte-se-lhe o seu "statu" de poeta e, desculpar-me-á, expert é-o.
Sabemos que ele há o Oliveira Martins, o António José Saraiva e o enorme Jorge de Sena. O Eduardo Lourenço também não lhes fica atrás. Mesmo aquele "rocambolesco" Camões do Hermano Saraiva!...Do Camões falamos.
Do Pessoa, deste então estamos tramados: Agostinho da Silva, José Augusto Seabra (Emidio Guerreiro, José Augusto Seabra e muitos mais cultuavam, juntos, um espiritualismo, que também foi do Pessoa...), Teresa Rita Lopes, Eduardo Lourenço, Tabucchi, Gaspar Simões, Jorge de Sena, Luciana Stegagno Picchio, Manuel Antunes, Octavio Paz, Jacinto Prado Coelho, e etc.
A minha amiga "transpira" poesia como respira e, quem ama a poesia como você o faz, só pode ser camoneana e pessoana, sempre, como você o diz e bem: - até morrer.
Abraço grande,
JA


De mdsol a 13 de Junho de 2009 às 13:10
O Pessoa é um génio.

: )))


De weber a 13 de Junho de 2009 às 16:26
É-o, sem dúvida alguma.
J.A.


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