Terça-feira, 9 de Junho de 2009

A realidade: o dificil argumento

Nestas últimas eleições, para o parlamento europeu, poucas vezes a realidade que as condicionou - foi considerada.

A crise do sistema financeiro, da responsabilidade dos neoliberais, sobretudo dos arreganhados defensores do desregulamento, Tatcher e Reagan, que nem Clinton, nem Blair conseguiram endireitar, provocaram a maior CRISE de que há memória desde a destruição do tecido industrial na grande depressão americana de 1929.

Roosevelt, o Presidente do século XX mais venerado pelos americanos conseguiu, em circunstâncias históricas singulares tirar a América do atoleiro e colocá-la como primeira potência mundial. Isto aconteceu também porque os EEUU beneficiaram e muito com o esforço de guerra que os aliados, sobretudo a Inglaterra e a U.R.S.S. tiveram de fazer para derrotar os Nazis.

A reconstrução a Europa e do Japão foram oportunidades, janelas abertas para a consolidação da liderança imperial americana.

A história é mais complexa, do que esta pequena narrativa, mas serve para ilustrar o que ocorreu nesta eleições europeias.

Os liberais, os conservadores, responsáveis, muitos deles pela crise, saíram incólumes da contenda eleitoral.

Nalguns casos, poucos, perderam posições. Mas, os que assinalaram maior crescimento, foram, surpresa, os partidos anti-sistémicos: esquerda, verdes, nacionalistas, xenófobos, conservadores.

Todos os que agitaram fantasmas...subiram ou aguentaram-se.

Quem falou verdade, quem olhou de frente a realidade, quem a teve em conta, foram penalizados.

No caso português, o que aconteceu?

Os eurocépticos (B.E. e P.C.P. subiram), assim como o CDS/PP.

O PSD, que não disse coisa nenhuma, com nada se comprometeu, agitando um nacionalismo serôdio e fórmulas vazias, colheu os resultados.

O P.S., que arrostou, no poder, com a crise e que tem, obrigatoriamente, de lutar contra ela foi penalizado por isso. É da vida.

Depois, no inicio do mandato, sem sinais consistentes de crise (sobretudo sem manifestações claras sobre a sua dimensão...) o governo de José Sócrates lançou reformas necessárias e urgentes , que agitaram corporações fortíssimas e mexeram em interesses instalados.

Sustentando-se na sua maioria absoluta, não procurou alianças, nem negociou calendários para as reformas!

A dimensão da crise financeira, a chamada economia de casino, trouxe à luz do dia as manipulações, as fraudes nos bancos e as malfeitorias dos banqueiros.

Isto pesou, e pesou forte, sobretudo na dimensão da abstenção, que penalizou, claramente, o P.S.

Ninguém, nas outras agremiações partidárias cresceu o suficiente, para se poder extrapolar já para possíveis comportamentos eleitorais, menos ainda para resultados, nas legislativas, que serão, em principio, as próximas eleições no calendário eleitoral.

O único caso, que se desvia desta grelha analítica é o B.E. Aumentou o seu número de votantes e cresce em número de deputados. isto acontece, também, no caso do PSD.

Passado o calor da noite eleitoral, todos os presuntos vencedores moderaram as análises e os comentários.

O P.S. recolheu-se para lamber as feridas e reflectir na dimensão dos estragos que esta derrota provocou.

Portanto, é necessário e urgente mergulharmos no real para não sermos vitimas do erro de paralaxe que, esse sim, distorce a realidade.

J.A.

 

 

   Foto: procurando emprego.

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publicado por weber às 17:19
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De José Ricardo Costa a 10 de Junho de 2009 às 08:34
Gostaria de saber se, quando fala em "reformas necessárias e urgentes" está a referir-se igualmente à educação.

Abraço,

JR


De weber a 10 de Junho de 2009 às 13:26
Claro que sim.
Os nossos olhares sobre esta são, necessariamente, diferentes.
Eu fui "aluno" faz muitos anos da "escola pública".
Hoje sou aluno da Universidade Aberta, bem dirigida, com reformas razoáveis, mas que não participa da "grande" reforma.
Tenho um filho no 10.º ano e é através dele, que percebo um pouco do que ocorreu.
As eleições servem para transmitir sinais aos agentes políticos, aos que estão no poder e aos que se acantonam na oposição.
As reformas na educação deste governo, não se situaram só na carreira docente e/ou na avaliação dos professores. Teve outras manifestações, mas que foram segregadas pela comunicação social.
Agora, ele há um facto incontornável: a Ministra e o Ministério não conseguiram fazer vencimento juntos dos professores sobre a "urgência" e a "bondade", sobretudo, da avaliação dos professores, para a progressão numa carreira.
Não vem ao caso esgrimir argumentos.
A Ministra perdeu a batalha dos afectos: os professores não gostam dela.
O Primeiro Ministro deve tirar consequências da derrota de dia 7 de Junho.
O exercício do poder em democracia tem balizas, tem parâmetros.
O voluntarismo exarcebado, em politica (a roçar um certo autoritarismo...) nunca deu bons resultados.
J.A.


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