Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Um grande poeta

II
A Morte, no Pego-Dragão

De onde vem este perfume de flores, embalsa-
mando a noite puríssima?


Entre bouças e fragas, uma cabana de ola, perto
da qual um arroio murmura...


Como de costume, o eremita parte ao surgir
a lua.


Em um covão do monte, um pássaro, poisado
ininterruptamente gorjeia.

 

Não lhe importa que as ervas, impregnadas do
orvalho, lhe encharquem as alpercatas de junça.


As suas vestes de ligeiro cânhamo, soergue-as,
enviezando, a brisa primaveril...


À borda da torrente, intento fazer versos ao
viço das orquídeas.


Embargam-mo as saudades, violentas empolgan-
do-me, do Kiang-pei e do Kiang-nan.

 

 

Camilo Pessanha
Tradução Poética das Oito Elegias Chinesas
Clepsidra
e outros poemas
Colecção Poesia
Edições Ática
1973


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publicado por weber às 00:44
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