Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Vasco Correia Lourenço: um HOMEM na revolução

 

A editora Âncora publicou um enorme livro, que reflecte quarenta horas de conversa do capitão Vasco Lourenço, hoje Coronel, por mérito próprio e Presidente da Direcção da Associação 25A.

O testemunho é inigualável, tem a qualidade dos testemunhos dos actores centrais de acontecimentos, que mudaram Portugal na segunda metade do século XX e que formataram o nosso país de modo impressivo.

Depois, depois ele há o carácter singular e genuíno de Vasco Lourenço. É, muitas vezes, politicamente incorrecto, mas sempre de uma probidade à prova de bala.

Como se socorre só, praticamente, da sua memória, é Manuela Cruzeiro, a cientista da história e entrevistadora, que o coloca, bastas vezes, dentro dos acontecimentos. Exercício deveras interessante.

Por pudor, Vasco Lourenço, não divulga certos nomes, que tiveram posturas "degradantes" e que ficariam muito mal na fotografia da história.

Não poupa nas palavras para desancar nalgumas figuras (Eanes é uma delas...), mas ameniza a narrativa, por exemplo, sobre Otelo e, espanto meu, sobre Vasco Gonçalves.

Revela situações completamente novas para mim, tanto sobre o ocorrido em 11 de Março, como em 25 de Novembro de 1975. Hoje, já se sabe um pouco mais sobre esta última efeméride.

Há lacunas, da responsabilidade de Vasco Lourenço, mas também da própria entrevistadora.

A que me ressaltou, como mais grave, até porque falaram bastante do 25 de Novembro e da vontade de Jaime Neves ( e não só...) de "caçarem os comunistas e, mesmo, ilegalizarem-nos":a ida, a 25 de Novembro de 1975, à RTP do Major Melo Antunes fazer a célebre declaração:-O Partido Comunista é fundamental  e necessário para a democracia em Portugal.

Esta declaração é feita a pedido de Vasco Lourenço e é a Melo Antunes que é dada esta missão. Ele, Melo Antunes, sabe que é um suicídio político, para ele; mas sabe, também, que é ele que o tem de fazer.

Este acontecimento mediático - foi de importância capital no desenrolar da situação pós 25 de Novembro. Falta, pois, neste relato espantoso e de qualidade indiscutível, do Coronel Vasco Correia Lourenço.

Este livro é de leitura imperdível, para quem quizer saber MAIS como foi o 25 de Abril, o 28 de Setembro de 1974, o 11 de Março e o 25 de Novembro de 1975 e mais...contado na primeira pessoa do singular...e que "singular" é a voz de Vasco Lourenço!

J.Albergaria

 

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publicado por weber às 10:11
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