Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

Cesário Verde

José Joaquim Cesário Verde nasceu em 25 de Fevereiro de 1855. Morreu tuberculoso ainda o século não findara. Foi amanuense numa casa de ferragens de seu pai e produtor de legumes frutas numa quinta em Linda -a -Pastora. Morreu no Paço do Lumiar. 

É, hoje, considerado o mais importante e revolucionário poeta da sua geração, que faz a ruptura do romantismo para o Modernismo.

É Fernando Pessoa que assim o reconhece e que se assume como herdeiro e prócere de Cesário.

Em vida desejou o sucesso e dele foi afastado. Tentou publicar-se e ainda o conseguiu nalguns jornais, mas foi maltratado por poetas, estetas e, sobretudo, por jornalistas.

Conta-se mesmo, que um desses desbocados, inimputáveis escribas, se terá cruzado com o poeta e arremessou-lhe: " Ali vai Cesário azul!". O poeta, introspectivo, deixou sossegar a desfeita e, quando se cruzou com o escriba, ter-lhe-á retorquido: "Adeus ó troca-tintas!".

De Cesário ficou o que o poeta nos legou, que sendo pouco é do mais importante que se encontra na nossa poesia contemporânea.

Veja-se como discorre o nosso Walt Witman:

"Bem sei que preparais correctamente
O aço e a seda, as lâminas e o estofo:
Tudo o que há de mais dúctil, de mais fofo,
Tudo o que há de mais rijo e resistente!

Mas isso tudo é falso, é maquinal,
Sem vida, como círculo ou um quadrado,
Com essa perfeição do fabricado,
Sem o ritmo do vivo e do real!

Uma aldeia daqui é mais feliz,
Londres sombria em que cintila e corte!...
Mesmo que tu, que vives a compor-te,
Grande seio arquejante de Paris!..."

Leiam Cesário e vejam como a sua poesia, amadurecendo, reverdeje a cada passagem, a cada leitura.

JA

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publicado por weber às 11:00
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