Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

O Anti-Maquiavel

Tenho andado com um danada vontade de falar deste livro, feito por um dos homens notáveis do seu tempo: Frederico da Prússia..

Decidiu, quando jovem, refutar, ponto por ponto, capitulo por capitulo a obra de Maquiavel: "O Príncipe". Esta é, ainda hoje considerada a "obra-prima" e a biblia da ciência politica: coisa mais falsa, mas irrevogável.

Na politica quem, em cada dia, não lê uma página de O Principe, ou é burro ou anda distraido.

Pois aqui fica o meu conselho: - Leiam O Anti-Maquiavel do principe prussiano e, depois, falámos.

Frederico da Prússia (1712-1786), o futuro Frederico II, amigo de Voltaire, enviou-lhe o manuscrito deste seu livro antes de o mandar publicar.

A obra foi para o prelo em 1741. Este texto anuncia o nascimento do Estado Moderno, com atributos filosóficos, morais e, sobretudo éticos.

Não é, contrariamente ao que muitos pensam, com O Príncipe de Maquiavel, que se pode, hoje, ajuizar um politico, um chefe de governo, um principe ( no sentido original: o primeiro magistrado).

Mas a obra de Frederico da Prússia, essa sim, ajuda-nos a avaliar das politicas e, sobretudo, dos politicos.

Ponderem esta critica, no Capitulo XII [De quantas espécies seja a milícia, e dos soldados mercenários]:

"Acabarei este capitulo depois de ter salientado uma frase de Maquiavel, que me parece assaz singular. «Os Venezianos, diz, desconfiando do duque de Carmagnola, que lhes comandava as tropas, foram obrigados a fazê-lo saír deste mundo.» Não entendo nada, confesso, o que seja estar obrigado a fazer alguém a saír deste mundo, a menos que se queira dizer trair, envenenar, assassinar, numa palavra condenar à morte esse alguém. É assim, com adoçar os termos, que o doutor do crime julga tornar inocentes as acções mais negras e mais culposas. Tinham os gregos o costume de se servir de perífrases quando falavam da morte, pois que não podiam sentir sem um secreto horror tudo o que o transe da morte tem de espantoso; e Maquiavel perifraseia os crimes, pois que o seu coração, revoltado contra o seu espirito, não seria capaz de digerir completamente crua a execrável moral que ensina. Que triste situação a daquele que tem vergonha de se mostrar aos outros tal qual é, e que se furta à ocasião de se examinar a si próprio!"

Este livro deveria ser de leitura obrigatória nas aulas de filosofia do secundário e, se possível em linha com a obra daquele Maquiavel (que o era realmente...) O Príncipe.

J.Albergaria

Pintura de Frederico II, que deixou uma obra humanista impressiva durante o seu governo, como Príncipe, que o foi, ao invés daquele Maquiavel, lacaio de príncipes, sem escrupúlos.

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publicado por weber às 09:21
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