Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Da poesia

António Botto

 

CANÇÃO

Pelos que andaram no amor
Amarrados ao desejo
De conquistar a verdade
Nos movimentos de um beijo;
Pelos que arderam na chama
Da ilusão de vencer
E ficaram nas ruínas
Do seu falhado heroísmo
Tentando ainda viver!,
Pela ambição que perturba
E arrasta os homens à Guerra
De resultados fatais!,
Pelas lágrimas serenas
Dos que não podem sorrir
E resignados, suicidam
Seus humaníssimos ais!
Pelo mistério subtil,
Imponderável, divino,
De um silêncio, de uma flor!,
Pela beleza que eu amo
E o meu olhar adivinha,
Por tudo que a vida encerra
E a morte sabe guardar,
― Bendito seja o destino
Que Deus tem para nos dar!

 

(in «Canções e Outros Poemas – Piquenas Canções de Cabaret», Edições Quasi, 2008)

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publicado por weber às 14:54
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