Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

E porque hoje é dia 27 de Abril...

 

E porque hoje é 27 de Abril...
O dia 25 de Abril de 1974 é uma marca na nossa história contemporânea e é, para citar   Paul Veyne (prócere des Annalles e um dos mais brilhantes historiadores da Nouvelle Histoire...) um fenómeno ACONTECIMENTAL!

O que decorreu depois dessa data - alterou, definitivamente, o curso da História de Portugal e reformatou o País. Foi uma "revolução imperfeita", no sentido que lhe atribui José Medeiros Ferreira, dado que "tocou" pouco no Aparelho de Estado e pouco nos Aparelhos Ideológicos (veja-se o caso da Igreja Católica...).Mas foi-o revolução em muitos, e impressivos, aspectos da nossa organização administrativa e política, dos direitos e, sobretudo, das LIBERDADES!

Há coisas que poderiam TER sido feitas de outro modo?...Pois há, mas a história não é feita de suponhamos, ou de hipóteses para o passado, mas de factos (aqueles factos questionáveis, interpeláveis, mas, sempre, incontornáveis...).

É óbvio que tal TEMA mereceria um debate danado...mas fico-me pela enunciação.

Entretanto está em curso um pequeno "debate" na blogoesfera assente num terreno, para os historiadores, deveras "desconcertante" e escorregadio: a memória de protagonistas dos acontecimentos, a memória de testemunhas dos acontecimentos.

Quaisquer destas "fontes" são úteis, mas têm de ser cotejadas com o que os jornais escreveram,o que as Notas e os planos dos revoltosos do MFA contêm, alguns documentos, poucos, dos sediados e dos alvos a "abater, a controlar ou neutralizar, por estes: o Governo de Caetano e dos poucos apoios militares e policiais.

Adrede neste debate blogoesférico, pulam afectos, recordações dramáticas, pungentes episódios do foro pessoalíssimo de MUITOS bloguistas e, do lado dos antifascistas uma enormérrima vontade de fazer a DEMONSTRAÇÃO do valor absoluto da DATA que, este ano, comemorou 35 anos!

Nada mais legitimo e óbvio para os que vivenciaram a dita manhã. Como tão bem disse a nossa poeta maior (como Jorge de Sena o reconhecia: "maior do que eu") Sophia de Mello Breyner:

"Esta é a madrugada que eu esperava/O dia inicial inteiro e limpo/Onde emergimos da noite e do silêncio/e livres habitamos a substância do tempo."

Deixo uma pergunta: quando nenhum dos protagonistas do 25 de Abril de 1974 cá estiver, quando não sobrarem testemunhas presenciais dos acontecimentos, como se irá comemorar o 25 de Abril? Como se explicarão os acontecimentos de então? Com os instrumentos que os Historiadores utilizam: as fontes, os documentos e a qualidade narrativa para a historiografia que cada um deles há-de produzir!

Daqui a 50 anos a efeméride será "comemorada" com um desfile de "abrilistas" a sair do Marquês de Pombal até ao Rossio? Não faço a mínima ideia, mas parece pouco plausível que tal venha a ocorrer!...

Até porque, neste ínterim, poderá acontecer outro fenómeno de MAIOR grandeza que ofusque aqueloutro!

Porque não comemoramos a Constituição de 1820?

Alguém sabe o Hino da Carta, com letra e música do nosso rei D.Pedro IV? Alguém venera, o coração deste rei, que se encontra na Igreja da Lapa, no Porto?

Não pretendo ser "desmancha-prazeres", mas dizer, prudentemente, que TUDO É RELATIVO....mesmo até as NOSSAS CERTEZAS!

As minhas também, claro está.

J.Albergaria

 

 


publicado por weber às 18:02
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De Logros a 27 de Abril de 2009 às 20:20
Não passei por nenhum desses bloguistas.
Concordo que daqui a meio século, mediante as evoluções socio-económicas, pólítico-estratégicas, científicas, ecológicas, demográficas, etc, etc a data se dilua bastante. Há umas décadas o 1.º de Dezembro era muito comemorado, enquanto o 5 de Outubro, que cheirava a "reviralho" era subalternizado pelo salazarismo. Inclusivé, nada era ensinado nas Escolas sobre a 1.* República. Era um período "vergonhoso" e de balbúrdia, que era varrido para debaixo do tapete. Em compensação a seguir ao 25, a disciplina de "História", no Ensino, passou a "Estudos Sociais", ou seja, uma palermice didáctica, que punha à cabeça "A crise de 1383-85" e o"poder popular", pois tratava-se de entronizar "a arraia miúda". Grande erro e puro e cego sectarismo ideológico: as crianças, postas perante episódios "pendurados", nunca mais perceberam o sentido diacrónico da História. Hoje, ninguém sabe NADA da nossa História, nem minguém percebe a sua narrativa. Este, foi um dos tristes erros da "Revolução", entre muito "eduqouês" nocivo que produziu. Deve ser este 27 de que, também o J. A. fala.

Abraço
I.


De weber a 28 de Abril de 2009 às 04:07
É isso mesmo, mas um pouco mais.
Há historiadores, encartados, que às vezes são comentadores do tempo que passa e, por vezes, ainda militantes partidários.
E, sustentam, que a História que flui, a do tempo presente, ou a do passado próximo, é, cada vez mais, importante.
Até aqui nada de grave, ou novo.
Onde as coisas se complicam é quando, historiadores, começam a fazer história, ou a escrever a história, não a partir do bornal das suas ferramentas "científicas", mas a partir de ideias "preconcebidas" ou até ideológicas...
Ora, aqui, confundem e confundem-se, o profissional, com o ideólogo, com o actor dessa história e com o testemunho pessoal. Este exercício é deveras perigoso. Dá, normalmente, refeituras da história.
Aqui, como em tudo na vida, a prudência, o justo equilibrio, deverão ser o referencial.
O que a Inês diz, situa-se noutro território, mas é da maior importância e merece o meu total acordo.
Abraço,.
JA


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