
A primeira decisão do novel Governo Ayrault, Maire de Nantes: reduzir, em 30%, os salários dos seus membros, incluindo o do Presidente.
Sarkozy, esse, multiplicou por cinco o salário que tinha herdado de Chirac.
No poupar é que está o ganho.
Hollande dá os sinais certos.
Veja-se a composição do seu governo aqui.
Parece-me equilibrado e sustentado, tanto para o interior como para o exterior.
Os franceses apoiaram, em finais do século XVIII a luta pela independência das Colónias Inglesas da América do Norte. Lafayette é herói americano. Alexis de Tocqueville é um grande escritor de Democracia americana, provavelmente, o seu melhor historiador e analista.
A estátua da Liberdade, icone maior dos EUA, foi oferecida pela França revolucionária.
Desde então, particularmente no declinio dos impérios, sobretudo depois da 2ª guerra mundial, criou-se um sentimento antiamericano em França. Charles De Gaulle foi um dos políticos mais acérrimos nesse sentimento. A história é conhecida e tem alguma actualidade.
Espera-se de Hollande e de Obama, bom senso e, sobretudo, responsabilidade perante a história de amizade e afectos que presidiram às relações do oitocento entre os dois "povos", entre as duas "nações". Hoje será mais adequado falar de Estados e de amigos.
Esperemos pela próxima cimeira franco-americana, para percebermos a grandeza dos estadistas.
Para já, ouça-se o hino.
Interessante este artigo de Noëlle Lenoir, ex-ministra dos assuntos europeus, francesa, sobre os desafios de politica externa, que vai ter de enfrentar o actual Presidente da França.
Gostei desta abordagem.
"Quando François Hollande, acabado de ser eleito próximo Presidente de França, foi interpelado por um jornalista quanto ao idioma que usaria quando encontrasse o Presidente dos EUA, Barack Obama, pela primeira vez, a sua resposta foi reveladora. “Falo inglês mais fluentemente do que o antigo Presidente”, insistiu o líder socialista, referindo-se ao cessante Nicolas Sarkozy. “Mas um Presidente francês deve falar francês!” Proclamando a sua mestria da língua franca dos assuntos globais, Hollande afirmou-se como um estadista moderno, enquanto sugeriu que a França permanecerá tão influente quanto possível na cena internacional. Na verdade, ele proclamou o seu compromisso quanto ao internacionalismo e multilateralismo. De maneira a permanecer um país que compete acima da sua categoria em termos diplomáticos, é do interesse da França operar através de organizações internacionais em vez de depender de relações bilaterais."


A noticia percorreu todos os noticiários do mundo. O maior escritor mexicano da actualidade, Carlos Fuentes, aos 83 anos morreu, ontem, na Cidade do México.
Pode-se ler hoje no diário madrilista EL País farto material, algum obituário e muita informação sobre o romancista que transformou o México, nos seus romances, numa metáfora do Mundo.
Um dos seus próximos amigos, comentando a partida de Fuentes, "a melhor maneira de honrar a sua memória é lê-lo".
É a sorte dos grandes escritores, que os transcendem para além da morte: a sua obra. A de Carlos Fuentes vale bem o tempo que se lhe possa dedicar.
Além de tudo, que não é pouco, que fez pelas e nas Letras mexicanas, era de uma ética republicana invejável.
O El País recorda a sua demissão de Embaixador em Paris, como protesto pela nomeação do Presidente mexicano em 1968, responsável pela bárbara repressão e matança de estudantes na Praça de Tlalteloco, ou das Três Culturas, para Embaixador em Madrid, após a morte de Franco.
R.I.P. "Old Gringo".

É, obviamente, uma metáfora, mas a crónica de Ferreira Fernandes, essa, é contundente e substantiva.
Sarkozy foi afastado do Eliseu e, durante anos, falou-se de Merkozy, para "celebrar" o casamento entre a Chancelerina e o Presidente de França.
Agora, para sustentar a tese do luso-angolano, já se fala em Merkollande, mas os franceses preferem Homer, par que daria a primazia ao PR francês, mas também remete para o pai Simpsons.
Portanto, Merkel voltou a casar...faz todo o sentido. O que importa saber é se se vai manter o registo matriarcal ou se haverá uma deriva patriarcal. Eu que não sou misógino, bem que gostaria que o delicado Hollande pudesse mandar mais uma pedaço, na barca da Europa, que afronta uma borrasca tremenda.
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