Domingo, 29 de Janeiro de 2012
Portugal em "inho"

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publicado por weber às 15:42
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Sábado, 28 de Janeiro de 2012
Arménio Carlos, o novo SG da Intersindical: ruptura ou continuidade?

Esta é daquelas falsas dicotomias irrelevantes e desinteressantes, mas que, os analistas pouco avisados, gostam de "considerar".

A CGTP sempre foi "controlada" ferreamente pelo PCP.

Domingos Abrantes foi o seu patrão durante anos a fio.

Mais recentemente, o próprio Jerónimo de Sousa, foi seu maioral.

Creio que, hoje, é o jovem promissor Francisco Lopes, membro da Comissão Politica e do Secretariado do PCP, eleito deputado por Setúbal e candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais, quem "controla" a célula dos dirigentes, comunistas, da Central. Este dirigente partidário foi durante mais de duas décadas o "chefe" do Sector dos Transportes e Empresarial do Estado. As reuniões, as regulares, e as excepcionais, continuam a ter lugar na sede nacional, à rua Soeiro Pereira Gomes. Foi lá que se escolheu Arménio Carlos, vindo do sector mais radical dos sindicatos dos transportes, a FESTRU, sector que consegue parar as grandes cidades de Lisboa e Porto.

Curiosamente, nunca a metalúrgia, de onde veio JS, o SG do PCP, deu SG's para a Intersindical. O primeiro "coordenador" de facto, mas que não de direito, ainda no marcelismo, foi o bancário, Daniel Cabrita. Mas, como "falou" na PIDE, despareceu de cargos electivos.

Depois, um quadro destacado do PCP, Canais Rocha, vindo do sector dos Caixeiros, ainda se assomou como SG, logo a seguir ao 25A.

Elemento destacado do PCP na Comissão de Extinção da PIDE/DGS, surripiou o seu processo individual de anti-fascista, onde havia uma pequenina mancha, mas bastante para o mandarem para o caixote do lixo da história.

No 1º Congresso da INTER elegeram para Coordenador da Comissão Executiva, um desconhecido, mas prestigiado dirigente das Industrias Gráficas do Norte, Armando Teixeira da Silva, que teve um desempenho abaixo do medíocre. Já então se perfilava o operário especializado das Industrias Eléctricas do Norte, dirigente sectorial e da U.S. do Porto, Manuel Carvalho da Silva, patrão do Departamento de Organização da CGTP.

Isto tudo para dizer o quê?

Veja-se a noticia da eleição de Arménio Carlos aqui e percebe-se que, uma vez mais é esmagadora a presença dos comunistas.

Portanto, se dois mais dois são quatro, vamos ter continuidade no que respeita ao controlo da CGTP pelo PCP.

Depois, ele há o homem...e este Arménio é diferente de Carvalho da Silva.

Pela personalidade, pela formação, perlo percurso, pelo histórico, pelos apoios ou falta deles.

Manuel Carvalho da Silva, socorrendo-nos da trilogia grega, tinha Logos, alguma Ética e pouco Pathos.

Não era carismático. Não empolgava as massas ao modo de Camacho, espanhol ou de Georges Séguy, francês.

José Luís Judas poderia ter sido o carismático líder da Intersindical, mas no Congresso de 1986, "denegando" o convite que lhe tinha sido dirigido pelo seu muito particular amigo Domingos Abrantes, deixou-se "adoecer", caindo numa espécie de depressão angustiante, abrindo assim caminho para 25 anos de liderança de Carvalho da Silva. 

Este soube construir-se em figura pública, apreciada por muitos, considerada por alguns e promovido por uns quantos. Este agricultor do Alto Minho sempre soube querer o que podia e tudo fez para o conseguir.

Ele, disso não tenho dúvidas, sabe o que vai querer e tudo fará para o conseguir.

Quanto a Arménio Carlos, em meu entender, será um humilde quadro do PCP a quem obedece faz quase trinta anos.

Não vai haver, nem continuidade de liderança, nem ruptura.

O estilo vai mudar. Os slogans serão, talvez, mais contundentes, mas as outras sensibilidades lá estarão para moderar o radicalismo do homem da FESTRU.

Como diria o outro "tudo como dantes, no quartel da Victor Cordon".

Curiosidade minha: Joaquim Dionísio fica? e se ficar, que pelouro será o dele?

PS - Depois de escrito o post, ouvi um pedaço do discurso de encerramento do Congresso e do novel SG. Em cada frase, um"camaradas". Em cada tópico "os trabalhadores, o povo, a politica de classe". O homem foi descobrir as velhas teorias da Internacional Comunista, "classe contra classe". Mais parecia um discurso do alto da tribuna do Congresso do PCP. Até os congressistas, meio drogados de tanta conversa, pareciam dormitar em seus assentos.

Como era de prever, a conversa vai aumentar de tom e ser carregada de tons catastrofistas, mas ordem a "unir" da Soeiro Pereira Gomes aí está...presente. Lá estava o "camarada" Francisco Lopes, qual chefe partidário, na primeira fila da tribuna dos "convidados" a seguir, atentamente, o discurso do "controlado", do "moço de recados" que, Carvalho da Silva, a seu modo, também o era...Desengane-se quem pense o contrário.



publicado por weber às 18:05
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A espada de Dâmocles

Anselmo Borges utiliza a contento, seu e nosso, esta profunda, quanto meritória história, que Cícero, o tribuno, o jurisconsulto e senador romano, utilizou numa das suas peças de oratória e de polémica.

Considera o filósofo que a Humanidade está num cotovelo da sua história. Deixou-se para lá levar por soberba e ganância dos senhores do mundo, da finança e do império, quer seja da Europa, dos Estados Unidos, ou mesmo da China, hoje "imperial". Adverte, no entanto, o clérigo que a história não se escreve de modo apriorístico. As mais das vezes ela não se faz, como gostariam alguns que ela fosse escrita. A história não se deixa prever, menos ainda, controlar.

Leia-se, entretanto, a crónica do missionário de Valadares, por aqui.

E, já agora, este pedacito:

'De qualquer modo, é como se a Humanidade tivesse perdido o controle. "De facto", escreve Frédéric Lenoir, da École des Hautes Études en Sciences Sociales, "já nenhuma instituição, nenhum Estado parece à altura de pôr freio à corrida no sentido do desconhecido - e talvez do abismo - para a qual nos precipitam a ideologia consumista e a mundialização sob a égide do capitalismo ultraliberal: acentuação dramática das desigualdades; catástrofes ecológicas que ameaçam o conjunto do planeta; especulação financeira descontrolada que fragiliza a economia mundial tornada global. Depois, há as transformações dos nossos modos de vida que fizeram do homem ocidental um desenraizado amnésico, mas igualmente incapaz de se projectar no futuro. Não há dúvida de que os nossos modos de vida mudaram mais durante o século passado do que durante os três ou quatro milénios anteriores." '


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publicado por weber às 11:00
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Shabat Magritte: "O olhar da crise"

 


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publicado por weber às 10:42
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
Das citações

Conta-se, creio que nos tempos da Constituinte, em 1975, que o deputado socialista, José Luís do Amaral Nunes, eleito pelo circulo do Porto, cansava os seus colegas com chusmas de citações, de mais variados autores, denotando sabença "excessiva", pensava o deputado comunista, eleito por Coimbra, Vital Moreira. Este um belo dia acercou-se de José Luís Nunes e, em surdina, "ameaçou-o":- Um destes dias confrontou-o com o autor citado. Ao que o homem do Porto retorquiu:- Atreva-se!

Esta historieta vem a propósito da curiosa crónica do luso angolano com banca montada no DN e a pretexto de citações trocadas.

Apanhados: Sarkozy e de Hollande.

Saboreiem-na inteira:

"Nada como a França para nos ilustrar. Ainda no domingo, François Hollande, candidato socialista às presidenciais, citou Shakespeare e o Presidente Sarkozy citou Blaise Pascal. E, reparem, não falamos de um Mitterrand, que se cercava de artistas e filósofos, nem de um De Gaulle, autor de Memórias de Guerra, um clássico da língua francesa: Hollande é tido por apagado homem do aparelho, e Sarkozy por um arrivista com gosto pelo bling-bling. E, no entanto, em discurso que marcava a sua candidatura, Hollande citou, nomeando-o, Shakespeare: "Eles fracassaram porque não começaram pelo sonho." Os adversários ficaram arrasados com a tirada do Bardo de Stratford-upon-Avon, bom de palco e ainda melhor naquelas frases que duram séculos: "Todo o escravo tem na mão o poder de quebrar a servidão" (em Júlio César), "Ser ou não ser: eis a questão" (em Hamlet)... Procurou-se a obra onde o socialista foi beber a tal frase e encontrou-se: The Vision of Elena Silves, de Shakespeare, mas um errado, Nicholas Shakespeare, jornalista da BBC (e o livro é um romance de 1989). Este Shakespeare foi entrevistado ontem pelo Daily Telegraph e estava encantado com a confusão, claro. Por seu lado, Sarkozy disse citar Pascal: "O homem tem tudo organizado para que ele esqueça que vai morrer." Ontem, o jornal Libération garantia que a frase não existe na obra de Pascal. Tempos modernos: nem com grandes fiadores podemos acreditar nos políticos."



publicado por weber às 16:15
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Mad Drawing


publicado por weber às 15:40
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A humanidade do sagrado


publicado por weber às 15:34
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Bendito sejas

Isso. Isso mesmo.

Ele há pessoas que alcançam logo, mais depressa que outros, aquilo que importa e é importante.

Na blogoesfera, J. Adelino Maltez, tem esse quase dom e talento.

Hoje atacou-se, e bem, aos disparatado debate, dossier, dos feriados.

É preciso encolher os feriados, diz o governo. Mas, quais poderemos cortar?

Se mexermos nos religiosos, vamos ter problemas com a igreja. Se mexermos nos republicanos, vamos ter problemas com a Maçonaria. Em que ficamos?

Corta-se o 5 de Outubro e o 1º de Dezembro. Pois, e os religiosos?

Leiam a peça contundente do apachista escritor e analista aqui.

E inteirinha de seguida:

'A questão dita dos feriados é tão absurda quanto isto: em cada uma das cinquenta e tal semanas do ano, além de um feriado não religioso, o sábado, há um feriado religioso, o domingo. Pior do que isso, cada um dos dias da semana na nossa língua tem o nome de "feriado", isto é, feira, derivado do latim "feria", isto é, festa religiosa. Por outras palavras, se incluirmos o sábado judeu, todos os dias do ano em Portugal são de feriado. Somos, de facto, uma feira. Amen! Os laicistas quando estiveram no poder nem sequer tiveram a coragem de fazer retornar o nome dos dias da semana às designações pagãs, anteriores à determinação papal de Silvestre, julgo que no ano 200. Hoje, no poder, não estão laicistas nem antilaicistas, estão quem somos, os medricas. Logo, apenas apelo a uma adequada revolta dos senhores deputados, em nome da comunidade das coisas que se amam. É uma matéria de não-disciplina partidária e de fidelidade a valores maiores, em nome de uma lealdade básica. Há algemas que libertam. Consta que a bandeira nacional e o hino nacional serão objecto da próxima reunião do Conselho de Alvarização Nacional. A bandeira pode ser uma marca. E o hino até convém que seja em inglês pimba. Hoje sinto uma íntima derrota dentro de mim. Mas nunca esquecerei e nunca pactuarei com quem subscrever este acto de frontal violação de símbolos nacionais. Há uma fronteira de sagrado que se marca a fogo na memória. Subscrevo inteiramente o grito de revolta de Manuel Alegre: "É um acto contra a História e contra a cultura. É um acto anti-história e anti-cultura". Nem cito o ministro que veio a microfone dizer que, depois, se reforçará o 10 de Junho. Também sou radicalmente intransigente nessas matérias de mínimos de identidade patriótica. Lamento os ditos monárquicos que vieram fazer campanha contra o 5 de Outubro e os ditos republicanos que subscreveram o preconceito de o 1º de Dezembro ser dos monárquicos. Acabaram ambos alvarizados.'



publicado por weber às 15:26
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